sexta-feira, 8 de julho de 2011

são esses...

1 ano, 5 meses e 1 dia. Tempo suficiente para reconstruir uma vida. Tempo suficiente para aprender costumes, gestos, falas, Tempo suficiente para adquirir confiança, conhecer e entender pessoas.
Hoje eu preciso reconhecer para mim mesma que é SIM tempo suficiente para ter conquistado amigos. Desculpe-me a contradição. Nos últimos meses tudo que tenho falado é da falta que amigos me fazem. Nos últimos meses tudo que tenho feito é reclamado para quem quer ouvir que não me sinto inserida e que amigos são só os que estão há 600km de distancia.
Resolvi parar de ser hipócrita. Cansei de ser vítima. Resolvi olhar para minha realidade e aceitá-la.
Aceitei que todas as pessoas são diferentes e que por mais que seja tudo que eu quero eu nunca vou encontrar amigos como os que tenho em Campinas. Entretanto percebi que isso não vai impedir de que eu encontre amigos. Desculpe-me isso parece obvio demais, todavia, só agora consegui admitir e entender. E, acho... melhor, tenho certeza, que esse que agora chamo com toda convicção de amigos precisam de um reconhecimento.
Foram as duas semanas mais corridas, intensas, e difíceis que eu tive esse período e todas as pessoas que convivem comigo diariamente na Rural não participavam de tudo que eu precisava fazer. Cada uma estava no seu mundo particular de final de período e eu estava em vários mundos ao mesmo tempo. No final dessas duas semanas eu percebi o quanto esses que convivo diariamente me ajudaram, estiveram ao meu lado e fizeram muito mais do que sua obrigação.
Limparam minha parte em casa, estudaram para Teoria II comigo dentro de um Teatro, me ouviram reclamar e me estressar, me aguentaram falando loucamente da prova de carro, se  preocuparam em pensar em mim durante a prova, me abraçaram todas as manhãs de cansaço,  sorriram e me deram um "Bom Dia" carinhoso que na maioria das vezes me desarmava do estrese, entregaram trabalho, me obrigaram a comer, me levaram doce, me mandaram dormir cedo, me emprestaram computador e internet... Eu poderia listar quantas outras coisas aqui, coisas que somente amigos fazem uns pelos outros.
E não há como agradecer, não há como demostrar, não há como explicar. Eu apenas me sinto na obrigação de pedir desculpas por ter demorado tanto tempo a perceber o quanto você se tornaram essenciais em minha vida. Com certeza se eu não tivesse amigos por perto eu não teria conseguido sobreviver a essas duas últimas semanas... Obrigada, Obrigada, Obrigada.
1 ano, 5 meses e 1 dia. Talvez eu ainda sinta falta, talvez eu sinta saudades para sempre. E é claro que as vezes tudo que eu vou querer são meus amigos de Campinas por perto. Eu sei que ainda há muito o que superar, eu sei que ainda há muito o que aprender. Hoje, eu consigo ver amigos ao meu lado, tudo muito diferente do que eu sempre tive, mas ainda assim amigos. E eu tenho me tornado quem eu sou graças a vocês... Obrigada Amigos Ruralinos! E isso é tudo que eu consigo dizer, mesmo não dizendo quase nada. O maior fato é que são vocês e que palavras são pequenas demais para explicar esse tipo de sentimento.

ps. eu não vou citar nomes nem colocar fotos, posso estar sendo injusta com alguém. Todos vocês sabem que me ajudaram de alguma forma. :)

sábado, 2 de julho de 2011

Silêncio que grita

Uma palavra não dita. Um silêncio, que gerou outro silêncio, que gerou outro silêncio maior.
Conforto, menos problemas, desconforto. Como se algo tivesse faltando, e de certa forma, é claro que falta, faltam as palavras!
Entretanto eu descobri que as palavras não dizem quase nada. Eu descobri que o silêncio grita. E gostei dele.
O silêncio é incomodo, é inquietante.
Lembro-me uma vez de dizer em um caderno de memórias que o silencio me incomodou, porque eu desesperadamente gostaria que o sujeito gritasse em meus ouvidos, e ele não o fez. O silencio, na época, me feriu muito mais do que o grito.
E quando essa história toda de silêncio começou talvez tudo que eu quisesse era ferir alguém. As pessoas são diferentes, eu não consegui. O resultado foi o incomodo. Incomodei.
Desculpe-me eu tenho tentado muito falar, reclamar e resolver. Só que eu descobri que o silêncio grita, incomoda e vicia. Vicia. Vicia. Eu já não sei mais viver sem ele por perto e tenho tentado de todas as formas faze-lo ficar longe.
Silêncio. Incomodo. Gritaria. Incomodo do outro lado. Distancia. Silêncio. Vicio. Silêncio. Uma discussão bêbada. Um bem estar momentâneo. Baú. Silêncio. Incomodo.

Se não ficou claro, eu vou tentar ser mais direta. Acontece que uma amizade precisa ser reciproca. E antes que eu continue, me sinto na obrigação de definir "amizade" por se tratar de algo tão abrangente e amplo.
Amizade, na minha concepção, é aquele sentimento que você sente por uma pessoa e que te obriga a compartilhar tudo ao lado dela. Inexplicavelmente. E isso define tudo. Ou, talvez não defina nem metade do que realmente significa. Ou talvez nem seja nada disso. Nem precise ser reciproca, nem precise dividir nada.
Eu estou tentando ser clara, eu juro! O causador de todo um silêncio foi a ausência de uma atitude. Bajulação? Sentir falta de casa para mim é saudade, não drama. Ou, talvez nunca ninguém entenda isso... Porque agora minha casa é aqui e toda aquela merda toda aquela ladainha de sempre.
Plenamente certa eu certamente não estou. Afinal, ninguém é dono de verdade nenhuma. E talvez eu tenha exagerado, ou esperado demais, ou colocado muita fé, ou depositado muita confiança, ou, ou, ou... Talvez.
E as vezes tudo que eu mais queria era ter minha casinha de quarto e cozinha. Mas, na verdade eu só queria ter de volta a amiga que dividia essa casa comigo. Na verdade, a que divide o quarto comigo atualmente eu nem sei quem é. Desculpe-me, eu tentei, sinceramente, não com todas as forças... O silêncio me impediu, a paciência sumiu e, bom eu não também não sou muito de bajulações.

ps. eu sei que o blog é secreto e que eu não deveria ter lido, mas foi apenas um acaso. desculpe-me, mas eu precisei responder da mesma forma que recebi.

sábado, 18 de junho de 2011

A magia da grande cidade

Dia desses estava eu em um ponto de ônibus esperando por um amigo. A noite começava a chegar e a chuva insistia em cair. Sozinha e sem muito o que fazer passei a reparar nas luzes da cidade. A noite sempre me fascinou, as luzes, as estrelas. O escuro te impede de ter uma visão ampla e segura, por isso passa a ser tão interessante, te induz a buscar, a descobrir, a se adentrar, a investigar e se entregar totalmente. O escuro é imprevisível. No escuro você enxerga o que não existe, ou não enxerga o que existe, de acordo com o que seus olhos são capazes de ver.
Mas nem só de escuridão se vive, porque quando a noite cai, o sol desaparece, as luzes da rua ligam automáticas. Ninguém precisa ir lá e pedir para acende-las, elas sabem que precisam estar ligadas para que você consiga ter a visão necessária. Mesmo que embasada, mesmo que dificultosa.
Por isso a cidade grande a noite se torna tão bonita. Ela consegue manter a escuridão e fazer com que as luzes te guiem por onde é necessário ser guiado. Já por volta das 20h, quando as pessoas já chegaram em casa depois de um expediente de trabalho, as ruas ficam tranquilas e os carros passam pelo sinal verde da a minha frente borrando as luzes. Eu não vejo dentro do carro, eu não vejo a cor do carro. Mas eu sei que ali tem um carro. Porque mesmo com escuro as luzes me possibilitam ver a sombra que o reflete.
Enquanto a chuva insiste em cair, acaba se configurando na paisagem. Na noite da grande metrópole a chuva faz toda a diferença. Em um ambiente melancólico, frio, triste, a chuva se insere e se coloca como trilha sonora de uma vida. O som do carro passando e borrando a luz é diferente quando há chuva.
No céu só é possível ver as estrelas mais boitas, as que mais brilham. Eu vejo estrelas meio que como pessoas, que olham por mim, que se lembram de mim. E as que resistem a poluição e luzes das grandes cidades são as que mais merecem apoio, elas se esforçaram para que continuassem brilhando dentro de algum coração. Entendam, eu não estou dizendo que o céu de estrelas é mais bonito na grande metrópole do que no interior, em hipótese nenhuma! Eu adoro o céu de Seropédica! Só acho que as grandes estrelas são as que aparecem na cidade, são as que se esforçaram muito para estar ali.
E o tempo passa... E a cidade não pára! Nunca!
Foto 2: Campinas, SP
Foto 1: Centro do Rio de Janeiro

ps. o post da semana era para ter sido um poema feito em uma quinta-feira ociosa por três amigas revoltadas e entediadas. Por ética eu preferi falar o que já era programado. Mas eu preciso comentar... O tema do poema era: "O sonho da casa limpa". (rsrsrsrsr) Desculpe-me, apenas as minhas duas amigas entenderão isso.

domingo, 12 de junho de 2011

Literatura, jornalismo, textos, palavras...

Essa semana minha amiga de quarto (e de casa) estava terminando um texto para o Blog do ICHS e pediu que eu ouvisse o que ela escreveu. Em meio a tantos verbos objetivos, orações diretas, palavras que devem ser empregadas ao invés de outras, virgula no lugar certo, eu fiquei refletindo... Como é chato esse tal texto jornalístico! 
Alguns dias antes, eu estava estudando e lendo Clarice Lispector com a finalidade de apresentar um trabalho na aula de Jornalismo Impresso II, para falar de crônicas. E foi inevitável não fazer a comparação entre os textos. Não que minha amiga tenha feito um texto chato, de maneira alguma, ele era até bem interessante e falava sobre uma palestra que aconteceu na Universidade e que eu não fui por pura preguiça e falta de vontade. Fato é que as crônicas de Clarice, os seus contos e suas frases subjetivas me encantam e me interessam bem mais. E pensando bem eu nunca gostei das coisas tão claras. Explicação demais perde toda a graça da interpretação e descoberta.
Mês passado, participei do Intercom Sudeste, em São Paulo. Durante os dias de Encontro eu vi e ouvi muitas coisas que me inspiraram, foi realmente uma recarga de energias. Uma das frases que mais me marcaram e que eu certamente levarei para toda a vida foi: "O jornalismo não pode ser objetivo, porque não falamos sobre objetos. Ele precisa ser subjetivo, porque falamos sobre sujeitos." E, então apesar entender, aceitar e concordar plenamente com isso eu fico me perguntado porque na faculdade a gente aprende totalmente o contrário?
Sim, eu me sinto totalmente incomodada com o jornalismo ultimamente. Quando mais eu estudo, mais eu aprendo, mais duvidas e aversões eu tenho. Mas não há como, me desculpe, eu não consigo me ver fazendo outra coisa. Entretanto eu usarei as palavras que uma outra amiga de minha casa me disse essa semana também: "Nem sempre o que a gente gosta de fazer é o que a gente faz bem."
Se um dia alguém descobrir o que eu faço bem, por favor me conta tá! Então eu passo a trabalhar com isso. Enquanto isso eu vou insistindo no que eu gosto. Ou no que restou para mim. :*

sábado, 28 de maio de 2011

Renúncia.

É como se o mundo parasse e nada mais importasse além daquilo. É como se não fizesse sentido para ninguém além de eu mesma. É como se minha alma saísse de meu corpo e voasse. É o prazer, é o instantâneo. E tudo é saciado em alguns minutos, e todo nervosismo do mundo é depositado em alguém por alguns minutos, mas em seguida o nervosismo é trocado por uma intensa e inexplicável alegria. Chega a parecer egoísmo tanta alegria, chega a parecer egoísmo tanta satisfação para uma pessoa só. É o que chega mais perto de tentar explicar a sensação de estar em cima de um palco.
Horas de aulas, dores musculares constantes, paixões que se dividem, esforço, suor, dores, escolhas, exercícios que se repetem, piruetas, alongamentos, pernas altas, saltos altos, braços alinhados (ou não), perfeição, disciplina. Renúncia. Renúncia. Renúncia. Renúncia...
Renunciar o que? Seguir que caminho? Escolher que lado? Conciliar como? Manter como? Tentar como? E quando a vida não oferece oportunidades? E quando nada mais faz sentido além das horas de aulas? E quando já não há mais tempo para seguir? E quando a escolha já foi feita? E quando o corpo reclama, pede, pulsa? E quando as perguntas já não fazem sentido? E quando a vida já não mostra caminhos? E quando a paixão se torna maior que a razão? E quando a vontade do prazer se impõe sobre a obrigação do desejo? E quando a gente cresce? E quando já não há mais tempo para brincar? E quando a gente percebe que quiçá poderia ter acontecido? Ou que talvez nunca acontecerá de fato? E as dúvidas? O que fazemos com perguntas sem respostas? O que fazemos com tantas interrogações? Renunciar o que? O sonho? ou o prazer?

Já não há mais ninguém por perto que me faça parar, assim como já não há ninguém que insista que eu continue. O amor pela profissão diminui a cada dia, assim como a paixão pelo prazer grita dentro do meu peito. A minha consciência sussurra para eu seguir o sonho, o meu coração grita para esquece-lo. E os meus conceitos mudam. E minhas certezas se tornam questões. Desde de pequena eu tenho certeza que é sempre melhor seguir o coração, mas agora, enquanto percorro cada vez mais o mundo dos adultos, acho que devo seguir minha consciência.
Eu não quero entrar na questão amigos, mudança e saudades. Isso já é muito batido por aqui. Entretanto, é a minha maior falta. Eu tento desesperadamente não pensar, tento desesperadamente me desprender, tento desesperadamente ficar longe. E quanto mais eu tento mais eu penso, mais eu me prendo, mais eu me mantenho por perto. Eu tento desesperadamente me sentir inserida em todo esse novo mundo e tudo que eu consigo é me sentir feliz dentro de uma sala de dança com musica alta e uma sequência de jazz. O fato é que eu não me sinto inserida em grupo nenhum. Mas eu também não entrarei nessa questão, isso é assunto para outro dia. Quem sabe em um dia de reclamação e revolta com o mundo. Porque tudo que eu tento é não pensar nisso, tudo que eu tento é mentir para mim mesma dizendo que a fase de adaptação foi um sucesso.
Fato é que eu preciso fazer uma escolha, eu preciso decidir minha vida, eu preciso levar alguma coisa a sério de verdade. Fato é que eu não consigo. Porque nada nunca fez sentido de fato. E talvez nem a vida faça, mas ainda assim eu gosto muito de vive-la intensamente. E talvez seja essa intensidade e essa fascinação em querer viver tudo é que me dê tantas dúvidas, eu não sei bem o que quero. Eu sempre quis tudo! Eu sempre tive um apetite muito maior do que meu corpo e minha mente são capazes de absorver. Algumas pessoas não sabem o que querem por não querer nada. Eu não sei o que quero por querer tudo. E sinceramente, não sei o que é pior.
Talvez a maior dúvida já esteja resolvida. Porque o meu sonho é me tornar jornalista. Sempre foi esse. Sempre será esse. E todos os tipos de prazeres precisam ser aniquilados, afinal de contas, o prazer paralisa o desejo. E mesmo sem ninguém por perto para me dizer que esse é o certo, eu sei o que fazer. Essencial é ter consciência de que o certo é seguir o sonho, lutar por ele, não desistir dele. Mesmo quando ele se torna tão difícil a ponto de nem parecer mais sonho.
Renúncia. Renunciar. Abandonar. Desistir.Abdicar. Sobre as escolhas, sobre os caminhos a seguir... Talvez seja nós mesmos que construímos caminhos diferentes, nós construímos as portas a se abrirem. Eu ainda posso abrir qualquer uma das duas que construí e se mantém em minha frente. Mesmo que eu for julgada maluca por todos os outros. É como se ninguém mais importasse, ninguém mais entendesse, ninguém mais existisse, sou eu comigo mesma. Eu e as luzes. Eu e meu coração gritando. Eu e a música. Eu e os meus pés. Eu e eu mesma... Renúncia. 


"(...)Renunciar é, sobretudo, um ato de coragem. E poucos conseguem praticá-lo. É fácil apegar-se. Difícil é desapegar-se.(...)" Carlos Romero

domingo, 17 de abril de 2011

uma ong. um projeto. uma família.

Me peguei com vontade de falar de uma vida. Me peguei com vontade de contar uma história. Me peguei com vontade de expressar algo que já está em meus pensamentos e em meu coração sabe lá há quanto tempo.
Campinas, uma cidade há mais ou menos 90km da capital de São Paulo. Jardim do Trevo, um bairro dessa cidade bem perto do centro, bem cheio de coisas, comércios, pessoas. Pouca moradia, muito trabalho, muita correria. Prodança, um projeto social, uma ONG, uma familia, dentro de uma bairro corrido, da cidade no interior de São Paulo.
Conheci o Projeto aos 7 anos dentro da minha escola. Depois de alguns anos ali, uma oportunidade de bolsa numa boa academia de Campinas.Mas depois veio a mudança de escola e o Prodança sumiu de minha vida. Alguns anos depois, já havia passado por várias academias, feito algumas amigas, e só continuava no mundo da dança porque uma paixão incontrolável pulsava em meu peito. Mas dentro das academias, junto a tantas outras pessoas com realidades tão diferentes das minhas pouca coisa fazia sentido. Até que me reencontrei por acaso com o Prodança de novo. Então, mais madura, mais certa de si, consegui achar meu lugar.
Passei a frequentar o Barracão de Arte e Dança praticamente todos os dias da semana, fazer todas as aulas e modalidades possíveis. Passei a dar aula de ballet  e descobrir uma nova forma de me realizar e de me ver feliz através de minhas alunas. Passei a participar de competições e ter uma convivência quase que diária com todos lá dentro. Então eu redescobri o significado da palavra familia. Ninguém estava tão perto, ninguém entendia tão bem, ninguém completava tanto, ninguém sabia tanto de minha vida, ninguém conhecia tanto quanto as pessoas ali de dentro. E foi uma linda história, e foram lindos momentos, e foram inesquecíveis lições, aulas, amores, amigos, alunas, teatros, coreografias, ensaios, calos, bolhas, fotos... Amigos foram e vieram. Permaneceram ou sumiram. Cada um seguiu sua vida, mas todos com o mesmo amor pelo projeto que atualmente já virou uma ONG. Talvez o que cada um ali dentro sente é muito mais do que amor, gratidão. A palavra que melhor expressa o sentimento é devoção. Alguém já pensou sobre o significado dessa palavra? DEVOÇÃOVeneração especial.Reverência. Acatamento. 
E é claro que há problemas, é claro que não é perfeito. Afinal de contas, que graça teria um lugar perfeito? Mas há a devoção, que passa por cima de todo e qualquer obstáculo, que faz nós, a familia Prodança querer sempre o melhor para todos, faz com que mesmo que você se afaste você sinta a vontade pulsando em voltar, em participar, em estar junto, em querer o melhor.




E todos já sabem que a vida fez com que eu me afastasse, a vida fez com que todos os meus sonhos fossem interrompidos, para que fosse tras de sonhos que na época eram considerados mais importantes. Só que a vida é boa com a gente as vezes. Na ultima semana, eu tive a oportunidade de desenvolver um trabalho e de estar dentro da familia Prodança durante dois dias inteiros. E nesses dias eu pude reafirmar que tudo que eu sentia lá dentro era verdadeiro e recíproco por todos os outros. Tentando me distanciar e executar o meu trabalho com a mínima interferência possível, eu vi nos olhos de cada um ali a devoção. De fora de tudo eu vi a familia, eu vi o amor. Não pela dança, não pelas aulas. Eu vi o amor pela instituição, eu vi o amor pelo projeto, eu vi o amor pela ONG. De fora da familia Prodança eu pude ver o quanto tudo aquilo ali é especial, único e inexplicável. É claro que nem metade das pessoas que vivem ali dentro podem entender o que eu estou dizendo. Algumas delas só vão quem sabe entender um dia... Talvez quando elas se forcem a ficar fora da familia por algum motivo. Pode até soar contraditório, mas quanto mais eu queria me distanciar, mais eu me sentir perto, mais eu me sentia dentro. E mesmo daquelas pessoas que nem cheguei a conhecer, mesmo daquelas pessoas que nem sabia quem eu eram e não tinham ideia da minha devoção pelo Prodança, mesmo delas eu me senti da familia. E colocando o significado de familia temos: de famíliafamiliar; íntimo; sem cerimónia.




Deixei o Prodança com um ar que voltaria no dia seguinte, e mesmo que eu não voltasse aquilo ainda faria parte de mim. Mesmo que eu ignorasse por muito tempo, mesmo que eu não conhecesse mais ninguém a voltar para lá. Ainda assim a instituição faria parte de minha vida. Ainda assim tudo que acontece ali teria de alguma forma ligação comigo. Hoje eu tenho um pedaço do Prodança em meu coração, e com certeza tem um pedaço de mim no coração daquela ONG. 
Dias depois que cheguei apareceu em meu orkut um recado: 'Você se foi e deixou saudades." Um frase tão simples e cheia de significados. A frase que me fez entender tudo que aquele lugar significa(va) em minha vida. 
Só então eu percebi que mesmo tento "indo" eu ainda faço parte de tudo aquilo e eles ainda fazem parte de mim. E eu peso licença para todos que participam e se mantem ali todos os dias, mais familia é familia. Uma vez dentro dela, a gente nunca mais consegue se desvincular. 



sábado, 16 de abril de 2011

17 de dezembro de 2009.

Eu estava fazendo 18 anos. Doces 18 anos. Estava preparada (ou achava isso) para me mudar da minha cidade natal dali há 2 meses. Eu tive uma linda festa. Eu tive algumas amigas me dizendo coisas que eu nunca imaginei escutar. Eu tive uma despedida como ninguém teve. 1 ano e dois meses depois eu tenho certeza que dentre muitas pessoas que deixei para trás em Campinas, essas são as que nunca ficarão para tras em meu coração. O texto ainda me toca muito, talvez até mais do que me tocou há 1 ano e pouco atras. Porque só hoje eu consigo entender o verdadeiro sentido dele. Só hoje eu consigo perceber do que elas realmente estavam falando. Muito sábia essas minhas amigas.

Mariana,
Os anos se passaram e percebemos o quanto você é importante para nós. Você nos mostrou como uma amizade pode ser linda, quando existe verdade, companheirismo, carinho, amor e simplicidade. Ano que vem não será a mesma coisa sem você. É né, Rio 40 graus, mais um de seus sonhos sendo realizado.
Aquela menininha em que conhecemos na 5°série, hoje está se tornando uma grande mulher. E lhe desejamos nessa data muitas felicidades, saúde, amor e que Deus ilumine seus passos. Pois você merece tudo isso e mais um pouco.
Continue com esse sorriso maravilhoso que contagia a todos. É bom pararmos por aqui se não vamos ficar até amanhã dizendo o quanto você é maravilhosa. Viemos aqui fazer essa pequena homenagem e dizer o quanto TE AMAMOS.


Esse texto foi escrito em uma folha de guardanapo que estava sobre a mesa. As palavras são simples e ele é todo marcado pela oralidade. Mas cada vez eu leio eu çembro do rosto de cada uma, do olhos triste e felizes de cada amiga que permaneceu ao meu lado. E eu devo confessar que morri de medo de tudo isso acabar. Mas hoje, eu sou feliz, porque sim, eu tenho amigas de verdade que moram há 600km da minha casa e ainda assim permanecem por perto.

Mari Leite, Mi, Dane, Rentatinha, Leli, Nessa, Ju. eu amo vocês. sempre.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Lá no mundo do "se"

E as vezes, eu me pego pensando em como seria minha vida "se" eu não estivesse mudado para o Rio. Logo que esses pensamentos indesejados aparecem eu os espanto sem demora. Afim de contas para que ficar pensando sobre algo que nunca aconteceria? As vezes eu fico refletindo sobre a felicidade, e talvez eu acho que eu poderia ter tido uma vida muito mais feliz no interior de São Paulo. Uma vida previsivel e esperada: teria entrada para o jornalismo da PUCC, trabalharia como professora de ballet até conseguir um bom estágio. Estagiaria na EPTV Campinas e teria na Faculdade uma ótima formação televisiva. Casaria bem provavelmente com um vizinho ou um antigo amigo de Ensino Médio. Manteria todos os meus amigos de escola e largaria o ballet sem ao menos perceber que isso estava acontecendo. Compraria um terreno em qualquer condominio fechado e construiria a casa dos sonhos. Daquelas sem portão com gramado verdinho na frente e dois carros na garagem. Seria feliz e morreria sentada na cadeira de balanço em frente a minha casa com um sorriso nos lábios, logo depois de ter completado 100 anos, contando algum história de festival de dança aos meus netos, quiçá bisnetos... Quase como um filme... Quase perfeito demais para se tornar realidade.
Só que há 2 anos atrás, isso era tudo que eu não queria para a minha vida. Essa história de viveram felizes para sempre nunca foi meu sonho. Eu nunca gostei de ser princesa, eu preferia ser a idealizadora, eu preferia ser a dona da história.Porque eu nunca gostei de previsões, porque eu nunca gostei de rotina.
E hoje eu realizei meu sonho, eu escrevi minha história. Eu moro na "Cidade Maravilhosa", eu estudo numa Universidade Federal, eu faço o curso que sempre sonhei. Eu tenho a oportunidade de ter duas lindas casas... Tenho algumas pessoas importantes e especiais, tenho algumas pessoas inesquecíveis. Tenho tantas histórias a contar, tantas maluquices já realizadas... E ainda assim eu penso no "se". E ainda assim eu sinto saudade. E ainda assim eu fico me perguntando "se" eu seria mais feliz com minha vida de filme americano.
E dai vem o peso na cosnciencia... Eu construi e venho construindo a minha propria história, era para eu ser a pessoa mais feliz do mundo. E porque ainda assim eu me pego pensando no "se"? Egoísmo, egoísmo, egoísmo. Porque talvez hoje o que me faria mais feliz é ter algumas pessoas de Campinas por perto. E só... Porque eu só percebi a importancia que elas tem em minha vida depois que me vi longe delas. E eu que achava que valorizava meus amigos, e eu que achava que seria boa o suficiente para viver sem eles.
Saudade. esse é meu nome. Saudade, esse é meu coração. Saudade. essa sou eu.
Saudade. só saudade.
E as vezes eu fico no mundo do "se" talvez porque o mundo do "se" tem me interessado muito mais do que a história que eu escrevi. Talvez porque, nunca ninguém me contei que quando se resolve escrever a história o mundo tira a sua borracha.
E "se" eu conseguir achar o amor da minha vida, construir uma casa com um grama verdinha e morrer depois dos 100 anos com dois carros na garagem, eu vou contar aos meus netos que ainda que seja bem mais bonito e tranquilo escolher ser a princesa, é melhor que eles escolham ser a escritora... Mas eu vou avisa-los que quando escolhe-se esse papel, o mudo te tira a borracha.
Ainda assim, vale a pena... Isso quando não entramos no mundodo "se". É o mais racional, deixar o "se" para tras e ignora-lo todas as vezes em que eles inssistir em aparecer.