Ele sempre foi o garoto perfeito. Quando namorava era fiel, quando estava solteiro era sincero. Não brincava com o sentimento alheio, era atencioso com as amigas, era gente boa com os amigos. Tinha lindo olhos claros. Todas as mulheres do mundo queriam. E aquela outra moça teve, teve ele nas mãos.
Foi um lance rápido, intenso e muito confuso. Só que a moça conseguiu ler, entender e interpretar cada pedacinho da cabeça dele. Ela conseguiu desfazer todas as máscaras de um bom garoto.
Não que ele fosse ruim, de jeito nenhum. Ele se fazia de bom, para fazer com que as pessoas o achassem malvado e então conseguir se esconder. Se escondia atrás de máscaras imensas, fantasmas gigantes. Era sua proteção. Era sua proteção para os problemas de saúde, da vulnerabilidade que sentia longe de casa, da personalidade de querer ajudar a todos. Sua proteção. Era sua proteção para a falta de personalidade, para a falta.
O que deu ruim é que a moça enxergou por trás daqueles lindos olhos claros. Ela também usava um monte de máscaras e reconheceu de longe um medroso como ela. O garoto ficou, em um primeiro momento, encantado. Mas depois assustou. Porque saber de todas as suas máscaras, conhecer todos os seus segredos, interpretar todas as atitudes assusta. Porque quando você usa mascaras, é justamente para que ninguém saiba o que vem por trás delas. E é assustador quando alguém descobre. Assim com tanta facilidade, o que a gente é de verdade. E aquele garoto menino que nem tinha aprendido o que era ficar longe da família ainda ficou desesperado. Ele não estava pronto para tirar as máscaras, não estava pronto para ter alguém que fosse mais que ele por perto. O garoto menino era só um menino. Não estava preparado para uma mulher independente que o via totalmente diferente que o mundo via, que o enxergava de um jeito que ele não queria ser enxergado, que não esperava. Afinal, tinha dado certo nos últimos 19 anos né?
Só que houveram complicações. Porque a garota achou que estava tudo perfeito. Afinal, ter a boa capacidade de leitura nunca foi um problema para as pessoas né? Ele sumiu, correu, fugiu, evitou e ela ficou sem saber o que fazer, sem saber o que fez. Mal sabia que não podia sair assim tirando as máscaras das pessoas. Mesmo quando você está completamente apaixonada por ela.
O menino encontrou uma menina - como ele - que era bem bobinha e nunca enxergou as máscaras. A moça colecionou mais uma máscara na vida e continuou caminhando, a procura de alguém que pudesse conviver com ela. A procura de alguém que - como ela tentou fazer - tirasse todas as suas máscaras, despisse ela toda. Ela ficou procurando alguém que entendesse seu olhar, por trás da mascara de felicidade.
Enquanto ele viveu uma vida morna e feliz com a menina boba. Um vida confortável e cheia de máscaras.
O garoto sentiu falta da moça para sempre. A moça nunca encontrou alguém que conseguisse tirar todas as suas amarras.
"O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal.” LISPECTOR, Clarice
terça-feira, 26 de maio de 2015
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Falta.
A gente vive. Sorri, diz bom dia, toma café, dá risada de algumas piadas sem graça, ouve algumas histórias. A gente pergunta se tá tudo bem e responde que tá bem também. A camiseta está passada, a calça está limpa e o sapato está engraxado. O cabelo está cortado, alinhado e hidratado. O sorriso continua no rosto, automaticamente e sem pensar. Existe um emprego, mesmo com a crise no país. Existe uma casa, dinheiro para pagar as contas, pais por perto, família feliz. Teve também uma sonhada viagem para a Africa. Perfeito, a vida que todo mundo pediu a Deus.
Não.
Porque parece que falta. Falta ar, falta tempo, falta sorriso. Falta. Falta o coração vibrando, os olhos brilhado, a perna tremendo. Falta. Falta o desafio, o medo, o frio na barriga. Falta a emoção, a hesitação, o tesão, falta o ão, o oitenta, o quente que queima, que machuca, que te dá vontade de chorar. Falta.
Mas não dá pra saber onde falta. Pode ser a falta de casa, a falta de compromisso, a falta de provas, a falta daquele trabalho. Só da pra saber que falta um monte de coisas, que a vida mudou, que tanta coisa acabou. E faz falta. Falta.
E daí faz um buraco no peito, deixa o coração frio, a vida morna. Dá vontade de começar tudo de novo, refazer, remontar, destruir e reconstruir.
Quero largar o hospital, largar o consultório, quero largar o mundo. Talvez eu só comece a segunda faculdade e vá estudar antropologia e morar com os índios. Ou eu faça um concurso para a PM para subir o morro e matar bandido. Talvez eu entre pro BOPE ou pra ROTA. Eu sinto falta da emoção, da falta de segurança.
Mas, será que dá pra sentir falta de alguma coisa que nunca tivemos?
Não.
Porque parece que falta. Falta ar, falta tempo, falta sorriso. Falta. Falta o coração vibrando, os olhos brilhado, a perna tremendo. Falta. Falta o desafio, o medo, o frio na barriga. Falta a emoção, a hesitação, o tesão, falta o ão, o oitenta, o quente que queima, que machuca, que te dá vontade de chorar. Falta.
Mas não dá pra saber onde falta. Pode ser a falta de casa, a falta de compromisso, a falta de provas, a falta daquele trabalho. Só da pra saber que falta um monte de coisas, que a vida mudou, que tanta coisa acabou. E faz falta. Falta.
E daí faz um buraco no peito, deixa o coração frio, a vida morna. Dá vontade de começar tudo de novo, refazer, remontar, destruir e reconstruir.
Quero largar o hospital, largar o consultório, quero largar o mundo. Talvez eu só comece a segunda faculdade e vá estudar antropologia e morar com os índios. Ou eu faça um concurso para a PM para subir o morro e matar bandido. Talvez eu entre pro BOPE ou pra ROTA. Eu sinto falta da emoção, da falta de segurança.
Mas, será que dá pra sentir falta de alguma coisa que nunca tivemos?
domingo, 19 de abril de 2015
Mudo ou vou pra Tailândia?
Eu vivi durante dois anos inteiros levantando na cama na segunda feira e indo para o trabalho. Aquele que me pagava bem, mas que não me realizava. Aquele que tinha os melhores amigos, os melhores profissionais, mas não me mostrava que eu estava fazendo alguma diferença profissionalmente. Aquele que me fazia mais feliz a cada nova descoberta, que me preenchia pessoalmente, mas me matava profissionalmente.
Eu vivi os últimos dois anos aceitando o morno da vida. Aceitando a vida. Dizendo para mim mesmo que era só o que o destino tinha a me oferecer. Eu vivi quase uma vida toda aceitando ser uma pessoa mediana. Um estudante mediano, uma pesquisador mediano, um profissional mediano. Porque eu sempre tava na média. Eu nunca me destaquei muito, nunca marquei muito as pessoas, os lugares.
Mas acordei na segunda como nos últimos dois anos e percebi que bastava. It's enough! Eu simplesmente entendi que não bastava ter um mega salário e descontar toda uma frustração profissional em viagens, passeios e bem estar.
Era hora de movimentação.
E então veio o medo, das frustrações, do não confirmado, do deu tudo errado e do continuo sendo mediano porque sempre foi assim. Veio o medo do não reconhecimento.
Ouvi muitas pessoas, ouvi muita torcida, ouvi muitos elogios, ouvi muitas opiniões.
Mas comecei a me boicotar. Você sabe como é né... O problema maior foi que eu sempre tive dificuldades de acreditar em mim mesmo.
Sai do trabalho chato da segunda. Fui em uma agência de viagens e comprei um pacote para a Tailândia. Talvez lá eu consiga ficar de cabeça pra baixo em um elefante. Resolvi esperar mais 6 meses, viajar e depois mudar de vida. Afinal, no próximo emprego eu possivelmente ganharia a metade do salário e nunca poderia me dar a luxo de ir pra qualquer lugar do mundo.
Eu vivi os últimos dois anos aceitando o morno da vida. Aceitando a vida. Dizendo para mim mesmo que era só o que o destino tinha a me oferecer. Eu vivi quase uma vida toda aceitando ser uma pessoa mediana. Um estudante mediano, uma pesquisador mediano, um profissional mediano. Porque eu sempre tava na média. Eu nunca me destaquei muito, nunca marquei muito as pessoas, os lugares.
Mas acordei na segunda como nos últimos dois anos e percebi que bastava. It's enough! Eu simplesmente entendi que não bastava ter um mega salário e descontar toda uma frustração profissional em viagens, passeios e bem estar.
Era hora de movimentação.
E então veio o medo, das frustrações, do não confirmado, do deu tudo errado e do continuo sendo mediano porque sempre foi assim. Veio o medo do não reconhecimento.
Ouvi muitas pessoas, ouvi muita torcida, ouvi muitos elogios, ouvi muitas opiniões.
Mas comecei a me boicotar. Você sabe como é né... O problema maior foi que eu sempre tive dificuldades de acreditar em mim mesmo.
Sai do trabalho chato da segunda. Fui em uma agência de viagens e comprei um pacote para a Tailândia. Talvez lá eu consiga ficar de cabeça pra baixo em um elefante. Resolvi esperar mais 6 meses, viajar e depois mudar de vida. Afinal, no próximo emprego eu possivelmente ganharia a metade do salário e nunca poderia me dar a luxo de ir pra qualquer lugar do mundo.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
(não) me liga de novo
Mais uma vez sozinha no apartamento de uma grande cidade que não sabe que eu existo. O mundo me falou que não era você. O meu sexto sentido, a minha melhor amiga e até a minha mãe que é tão desligada soube que não era. Mas você era lindo demais, sabia tocar violão e compunha músicas. O típico artista que não gosta de nada além de você mesmo. Eu não te culpo sabe? Você sempre me disse que não sabia se apaixonar. E eu também não sabia, então fiquei tranquila. Você sempre me disse que queria conquistar o mundo. Só que eu nunca acreditei né, você odiava passar o fim de semana comigo na cidade grande. Acho que entendi que o problema era a cidade grande, quando na verdade o problema era eu. Porque tudo bem eu passar o fim de semana com você no interior, no seu porto seguro, no seu habitat natural né? Será que era tudo bem ou foi só mais um de seus jogos que eu nunca entendi as regras?
Eu cansei de brincar de jogos que não se parecem com jogos. Vamos só jogar poker? Pelo menos eu sei que você vai estar blefando! Porque agora eu tô sozinha de novo tá vendo? Eu deixei passar aquele garoto lindo só porque ele não tocava violão, foi isso que te contei na época lembra? Na verdade eu o mandei parar de gostar de mim porque foi naquele fim de semana que você me chamou para ir para Ilha Bela. Lembra que fim de semana incrível? Como eu poderia ficar com outra pessoa depois disso? Foi nesse fim de semana que eu descobri que você era uma droga, que eu estava viciada e não queria tratamento.
Mas eu tô sozinha, você terminou a faculdade e foi morar naquela fazenda que cria algum tipo de animal sob umas perceptiva nova de não exploração que não faz o mínimo de sentido pra mim. Você foi embora ontem e falou que me ligava quando o fim de semana fosse tranquilo, quando a casa tivesse limpa. Pra gente poder passar o fim de semana na fazenda. Eu odeio fazenda sabia? Já te falei o quanto a cidade grande me faz respirar e viver bem? E a fazenda fica a 4 horas daqui!
Me faz um favor agora? Liga pro menino que não sabe tocar violão, fala pra ele que você tem ferrado minha vida e que agora vai fazer alguma coisa boa. Fala pra ele que precisa que ele volte e me faça gostar dele. Faz outra coisa? Não parece mais não, fala olhando nos meus olhos que a gente nunca vai ter nada e que tá indo embora pra Groenlândia pra sempre. E que não vai voltar pra me buscar. Diz que todas as suas promessas não vão ser cumpridas.
Eu não quero mais acordar sozinha. Eu não quero mais estar numa cidade que ninguém sabe que eu existo. Eu não quero mais ser uma drogada e muito menos jogar seus jogos.
Só não esquece de me ligar quando chegar na fazenda ok?
Eu cansei de brincar de jogos que não se parecem com jogos. Vamos só jogar poker? Pelo menos eu sei que você vai estar blefando! Porque agora eu tô sozinha de novo tá vendo? Eu deixei passar aquele garoto lindo só porque ele não tocava violão, foi isso que te contei na época lembra? Na verdade eu o mandei parar de gostar de mim porque foi naquele fim de semana que você me chamou para ir para Ilha Bela. Lembra que fim de semana incrível? Como eu poderia ficar com outra pessoa depois disso? Foi nesse fim de semana que eu descobri que você era uma droga, que eu estava viciada e não queria tratamento.
Mas eu tô sozinha, você terminou a faculdade e foi morar naquela fazenda que cria algum tipo de animal sob umas perceptiva nova de não exploração que não faz o mínimo de sentido pra mim. Você foi embora ontem e falou que me ligava quando o fim de semana fosse tranquilo, quando a casa tivesse limpa. Pra gente poder passar o fim de semana na fazenda. Eu odeio fazenda sabia? Já te falei o quanto a cidade grande me faz respirar e viver bem? E a fazenda fica a 4 horas daqui!
Me faz um favor agora? Liga pro menino que não sabe tocar violão, fala pra ele que você tem ferrado minha vida e que agora vai fazer alguma coisa boa. Fala pra ele que precisa que ele volte e me faça gostar dele. Faz outra coisa? Não parece mais não, fala olhando nos meus olhos que a gente nunca vai ter nada e que tá indo embora pra Groenlândia pra sempre. E que não vai voltar pra me buscar. Diz que todas as suas promessas não vão ser cumpridas.
Eu não quero mais acordar sozinha. Eu não quero mais estar numa cidade que ninguém sabe que eu existo. Eu não quero mais ser uma drogada e muito menos jogar seus jogos.
Só não esquece de me ligar quando chegar na fazenda ok?
quarta-feira, 18 de março de 2015
quando eu me apaixonei
cinco anos, um mês e doze dias. Mais do que meia década.
Eu já expus sentimentos sobre as crises pós mudança algumas muitas vezes e outras tantas falei da cidade que tenho vivido.
Todo esse tempo a primeira pergunta das pessoas quando me viam ou percebiam o meu "R" puxado era "Você tá gostando do Rio de Janeiro?" E a minha resposta era sempre: "Eu estou me habituando". E o tempo passou. Doce tempo.
Vez dessas que me fizeram a habitual pergunta eu percebi que há tempos eu não refletia mesmo sobre a minha resposta.
Eu sempre gostei do Rio de Janeiro, eu sempre quis mudar para cá e senti que esse era o lugar que eu precisava estar. Só que a vida aqui foi muito diferente do que os sonhos me mostrava. A adaptação foi um inferno. As pessoas foram muito diferentes do que eu esperava que elas fossem.
Mas depois toda a tempestade em alto mar passou e fez com que meu barquinho chegasse em um lugar seguro, iluminado, cheio de luz e muita alegria. E agora eu preciso dizer que estou pronta para viver o Rio de Janeiro. Um belo dia eu acordei e percebi que a cidade maravilhosa ficou realmente maravilhosa. Assim, de verdade como todo mundo descreve.
Eu sou capaz de sorrir todos os dias, porque eu escolhi o Rio de Janeiro para ser o meu lar. Home. Assim mesmo, no sentido fraternal da palavra. Eu sou feliz todos os dias porque apensar de todos os problemas da cidade, de toda a cultura carioca que me irrita, de todo o transito maluco, eu consigo entender que o lado bom recompensa. Eu consigo sorrir por Santa Tereza, pelo show no fim de semana, ou pela Lapa no sábado a noite. Eu consigo sorrir pela quantidade de pessoas que conheci e que me fizeram alguém melhor, pelos amigos de verdade que me ajudam, que escutam minhas crises e que entendem minhas loucuras. Eu consigo sorrir pelo fato de saber realmente quem são as pessoas que se importam e que importam mas que estão longe. E consigo sorrir muito quando elas vem passar as férias na minha casa. Porque ser feliz é morar no lugar onde o mundo passa as férias. Eu consigo ser feliz porque, apesar do calor, eu tenho a praia, apesar do sol eu tenho a maresia, apesar do abafado eu tenho a chuva. Eu consigo sorrir porque sentir o clima, o vento e a vibe do Rio de Janeiro todos os dias é o sonho de muita gente no mundo, mas principalmente é o meu sonho sendo realizado.
Agora não tem mais jeito, eu sou uma paulista cariocando. Eu sou uma paulista que vai ao shopping de havaianas e que usa bermuda com casaco no inverno. Agora não tem mais jeito eu sou moradora da Cidade Maravilhosa e gosto dela. Agora não tem mais jeito, eu estou perdida e completamente apaixonada pelo Rio de Janeiro.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
freedom
li.ber.da.de
1 Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral. 2 Poder de exercer livremente a sua vontade. 3 Condição de não ser sujeito, como indivíduo ou comunidade, a controle ou arbitrariedades políticas estrangeiras. 4 Condição do ser que não vive em cativeiro. 5 Condição de pessoa não sujeita a escravidão ou servidão. 6 Isenção de todas as restrições, exceto as prescritas pelos direitos legais de outrem. 7 Independência, autonomia. 8 Ousadia. 9 Permissão. 10 Imunidade. 1 Regalias, franquias, imunidades, privilégios concedidos aos cidadãos pela constituição do país ou de que goza um país, uma divisão dele, uma instituição etc. 2 Maneira de proceder não sancionada pelas convenções sociais ou pelo decoro. 3 Familiaridade importuna; atrevimento, confiança: Tomar liberdades com alguém.
Quando eu terminei o namoro de um milhão de pensei que estava livre. Prometi para mim mesmo que não ia mais me apagar a nenhuma mulher por tempo suficiente para que eu pudesse curtir tudo que havia perdido. Eu me tornei o famoso "solteiro de carteirinha". Todas as possibilidades, todas as meninas incríveis que passaram pela minha vida, todos os amores de verão inesquecíveis que eu poderia ter vivido. Eu abri mão por um discurso de liberdade. Eu era livre de um relacionamento e acabei me prendendo a um não relacionamento.
Eu sempre tive medo de viajar, sair da minha zona de conforto, abrir mão de minhas raízes. E então eu passei para a faculdade e tive que morar a mil quilometro de todas as pessoas que eu mais amava na vida. Quando eu descobri o quão lindo é o mundo eu prometi para mim mesma que seria dele. Que as raízes não me prenderiam, que eu teria amigos em todos os lugares. Eu fiquei livre para o mundo e me prendi nas não raízes.
Eu nunca tive uma religião. Eu nunca achei que precisaria me prender a uma crença, a um ser maior, a um estilo de vida. Estar disposto a ver e conhecer qualquer coisa. Sem precisar me prender a um estilo de vida ou a uma doutrina. Eu fiquei livre para as tradições e me prendi ao não.
De que forma ser livre? Não se prender? Não ter raízes? Não acreditar? Será que o fato de ter um estilo de vida freedom é sempre ser "isenta de restrição externa ou coação física ou moral" é mesmo ser livre? O não é a liberdade?
1 Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral. 2 Poder de exercer livremente a sua vontade. 3 Condição de não ser sujeito, como indivíduo ou comunidade, a controle ou arbitrariedades políticas estrangeiras. 4 Condição do ser que não vive em cativeiro. 5 Condição de pessoa não sujeita a escravidão ou servidão. 6 Isenção de todas as restrições, exceto as prescritas pelos direitos legais de outrem. 7 Independência, autonomia. 8 Ousadia. 9 Permissão. 10 Imunidade. 1 Regalias, franquias, imunidades, privilégios concedidos aos cidadãos pela constituição do país ou de que goza um país, uma divisão dele, uma instituição etc. 2 Maneira de proceder não sancionada pelas convenções sociais ou pelo decoro. 3 Familiaridade importuna; atrevimento, confiança: Tomar liberdades com alguém.
Quando eu terminei o namoro de um milhão de pensei que estava livre. Prometi para mim mesmo que não ia mais me apagar a nenhuma mulher por tempo suficiente para que eu pudesse curtir tudo que havia perdido. Eu me tornei o famoso "solteiro de carteirinha". Todas as possibilidades, todas as meninas incríveis que passaram pela minha vida, todos os amores de verão inesquecíveis que eu poderia ter vivido. Eu abri mão por um discurso de liberdade. Eu era livre de um relacionamento e acabei me prendendo a um não relacionamento.
Eu sempre tive medo de viajar, sair da minha zona de conforto, abrir mão de minhas raízes. E então eu passei para a faculdade e tive que morar a mil quilometro de todas as pessoas que eu mais amava na vida. Quando eu descobri o quão lindo é o mundo eu prometi para mim mesma que seria dele. Que as raízes não me prenderiam, que eu teria amigos em todos os lugares. Eu fiquei livre para o mundo e me prendi nas não raízes.
Eu nunca tive uma religião. Eu nunca achei que precisaria me prender a uma crença, a um ser maior, a um estilo de vida. Estar disposto a ver e conhecer qualquer coisa. Sem precisar me prender a um estilo de vida ou a uma doutrina. Eu fiquei livre para as tradições e me prendi ao não.
De que forma ser livre? Não se prender? Não ter raízes? Não acreditar? Será que o fato de ter um estilo de vida freedom é sempre ser "isenta de restrição externa ou coação física ou moral" é mesmo ser livre? O não é a liberdade?
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
o quebra-cabeça
E foi aí que tudo deu errado. Porque ela queria a praia e ele queria o museu. Ela queria a estrada e ele queria a família. Ela queria o silêncio e ele queria a briga, a gritaria, a resposta. Ela não tinha nem a pergunta. Eles não conseguiam mais conversar, porque estar longe dos amigos fazia dele uma pessoa estressada. Estar longe da praia fazia dela uma pessoa triste. Ele sentia que perder aquela menina seria perder tudo que ele tinha conquistado na vida com seu próprio mérito. Ela sabia que perder aquele menino era perder todo o mundo que passou a brilhar para ela. Mas ela não conseguia conversar com ele e ele não conseguia conversar com ela. E o fato dele usar camiseta regata que ela conseguia relevar antes agora estava insuportável. E o fato dela odiar milho também o deixava tão triste. Mas ele precisava fazer seu tão sonhado curso de Belas Artes na capital. Mas ela precisava surfar e a praia mais próxima era há quase 10 horas dali. Começaram os gritos e a menina enfrentou seu medo de um mundo cinza e resolveu voltar para o litoral. Ela não conseguia mais lidar com o barulho.
Ele ficou na capital, chorou, chorou, chorou, chorou, chorou. Chegou o inverno e a capital ficou escura, trite. E ninguém entendeu porque e como o casal feito um para o outro acabou. Ela foi viver de novo. Descobriu outro tom de azul nas águas do litoral. Ela só não descobriu as cores nos homens.
Só restou um monte de marcas, dois corações vazios e duas vidas em seus caminhos diferentes, distantes e com sentimentos tão parecidos. Quem dera se a capital tivesse o mar ou se o mar tivesse o museu. Quem dera a vida fosse assim, encaixável como um quebra-cabeças.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Deixar para trás, viver de novo
Vivi e sobrevivi. Estou viva, com o sangue pulsando rápido. Borbulhante.
É difícil explicar todos aqueles acontecimentos agora que já passou. Na época foi intenso demais e tudo que eu menos queria era escrever.
Porque escrever significava botar pra fora e botar pra fora significava abrir mão, deixar pra trás, expelir todo aquele sentimento de pertencimento àquele lugar. E naquele momento tudo que eu não queria era deixar de pertencer, de viver, de fazer parte.
"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo." Antoine de Saint-Exupéry
Só que eu não queria deixar um pedaço meu, nem levar um pedaço das outras pessoas, daquele lugar. Eu simplesmente não queria ir. Mesmo tendo certeza que aquele era o momento, que aquela transição era necessária. Eu tinha consciência de tudo isso, como não ter estando com aquelas pessoas, naquele lugar. O que mais aprendi no último ano foi sobre a consciência... Mas a emoção gritava tanto que andava me deixando surda, sem chão, sem voz e praticamente sem coração. Sem ar.
Pela primeira vez eu não quis escrever e isso fez toda diferença. Eu quis o sentimento só pra mim, exclusivamente dentro do meu peito. Mesmo colocar oralmente em palavras era difícil e vocês todos sabiam disso. Eu senti tudo, mesmo fingindo estar ignorando, mesmo forçando o sorriso, mesmo querendo me revoltar contra o mundo. Eu precisei sentir tudo, já que sentir é sempre tão difícil para uma pessoa totalmente racional como eu.
E só dois meses depois eu falei tchau e pude voltar para dizer oi novamente.
Sentir e guardar para sentir. Sentir e viver para sentir. Sentir e entender que algumas imagens nem mesmo a poesia das palavras consegue mostrar.
Já estou pronta pra outra, já estou pronto para outro.
Dois mil e quinze.
É difícil explicar todos aqueles acontecimentos agora que já passou. Na época foi intenso demais e tudo que eu menos queria era escrever.
Porque escrever significava botar pra fora e botar pra fora significava abrir mão, deixar pra trás, expelir todo aquele sentimento de pertencimento àquele lugar. E naquele momento tudo que eu não queria era deixar de pertencer, de viver, de fazer parte.
"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo." Antoine de Saint-Exupéry
Só que eu não queria deixar um pedaço meu, nem levar um pedaço das outras pessoas, daquele lugar. Eu simplesmente não queria ir. Mesmo tendo certeza que aquele era o momento, que aquela transição era necessária. Eu tinha consciência de tudo isso, como não ter estando com aquelas pessoas, naquele lugar. O que mais aprendi no último ano foi sobre a consciência... Mas a emoção gritava tanto que andava me deixando surda, sem chão, sem voz e praticamente sem coração. Sem ar.
Pela primeira vez eu não quis escrever e isso fez toda diferença. Eu quis o sentimento só pra mim, exclusivamente dentro do meu peito. Mesmo colocar oralmente em palavras era difícil e vocês todos sabiam disso. Eu senti tudo, mesmo fingindo estar ignorando, mesmo forçando o sorriso, mesmo querendo me revoltar contra o mundo. Eu precisei sentir tudo, já que sentir é sempre tão difícil para uma pessoa totalmente racional como eu.
E só dois meses depois eu falei tchau e pude voltar para dizer oi novamente.
Sentir e guardar para sentir. Sentir e viver para sentir. Sentir e entender que algumas imagens nem mesmo a poesia das palavras consegue mostrar.
Já estou pronta pra outra, já estou pronto para outro.
Dois mil e quinze.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
despedir-se
Eu já sabia que chegaria a hora.
Da mesma forma que chegou a hora de deixar o colégio, deixar Campinas, deixar a Travessa, deixar Florianópolis, deixar a Europa, deixar a faculdade. A vida no final das contas é uma série de eventos que a gente deixa, até que enfim a vida nos deixa.
E ainda estou confuso só que agora é diferente, estou tranquilo e tão contente.
Eu estou tentado lidar bem com tudo isso, estou tentado ser forte e ultrapassar todo esse momento difícil como um adulta responsável e madura. E por muitas vezes tudo que tenho vontade de fazer é só sumir ou chorar. Mas nada disso resolveria o problema.
Mas estou pensando a melhor forma de deixar. Estou pensando em encarar isso como na maioria das outras vezes, dizer tchau e pensar que vou voltar amanhã. Só que agora é diferente. Agora eu também sinto que não é somente dizer tchau. As pessoas que convivem comigo diariamente precisam saber o quanto tudo isso mudou minha vida. O quanto tudo isso foi essencial para minha formação profissional e pessoal.
O problema é que não tenho conseguido escrever, na verdade eu não aprendi como dar tchau, como despedir-me, como e em que contexto expor tudo que preciso. Porque embora, para mim, faça todo o sentido e seja extremamente importante, as vezes não tenho certeza do quanto eu consigo expressar essa importância.
Chegou a hora de dar tchau, mas eu não sei como fazer isso.
Da mesma forma que chegou a hora de deixar o colégio, deixar Campinas, deixar a Travessa, deixar Florianópolis, deixar a Europa, deixar a faculdade. A vida no final das contas é uma série de eventos que a gente deixa, até que enfim a vida nos deixa.
E ainda estou confuso só que agora é diferente, estou tranquilo e tão contente.
Eu estou tentado lidar bem com tudo isso, estou tentado ser forte e ultrapassar todo esse momento difícil como um adulta responsável e madura. E por muitas vezes tudo que tenho vontade de fazer é só sumir ou chorar. Mas nada disso resolveria o problema.
Mas estou pensando a melhor forma de deixar. Estou pensando em encarar isso como na maioria das outras vezes, dizer tchau e pensar que vou voltar amanhã. Só que agora é diferente. Agora eu também sinto que não é somente dizer tchau. As pessoas que convivem comigo diariamente precisam saber o quanto tudo isso mudou minha vida. O quanto tudo isso foi essencial para minha formação profissional e pessoal.
O problema é que não tenho conseguido escrever, na verdade eu não aprendi como dar tchau, como despedir-me, como e em que contexto expor tudo que preciso. Porque embora, para mim, faça todo o sentido e seja extremamente importante, as vezes não tenho certeza do quanto eu consigo expressar essa importância.
Chegou a hora de dar tchau, mas eu não sei como fazer isso.
domingo, 8 de junho de 2014
ser do mau
Foi um fim de semana de Disney. No sábado aproveitei a preguiça para ver Frozen, afinal eu precisava me preparar para entender a próxima temporada de Once Upon a Time, além de ser um filme que já estava em minha lista de recomendados principalmente por conta da trilha sonora.
No domingo fui ao cinema ver o comentado Malévola, com a sensacional Angelina Jolie.
Fiquei pensando sobre vilões e toda essa nova onda sobre ser bem ou mau que a Disney anda colocando na cabeça das crianças. Afinal de contas, ter atitudes ruins podem ser justificadas por experiências ruins e/ou mal resolvidas do passado?
Será que uma pessoa nasce do mau ou se torna do mau?
Já havia pensado sobre isso dentro do ambiente de trabalho. Porque há sempre no seu relacionamento profissional o vilão, assim como há sempre o vilão na escola e em todas as situações que vivemos. Sempre há alguém 'do mau'. Só que será que eu já não fui 'do mau' para uma outra pessoa sem nem saber?
Porque nenhum de nós é perfeito afinal. Será que eu já não despertei em alguém um sentimento que abominei quando aconteceu comigo? Dessas coisas simples que a gente faz no dia a dia mesmo, como deixar de dar atenção necessário para um amigo quando ele mais precisa e a gente está ocupado demais com nossa felicidade ou com nossos problemas que julgamos sempre serem maiores e mais sérios.
Ana, sempre considerou a irmã mais velha uma 'bruxa malvada' em Frozen. Ela sempre achou que a irmã mais velha a desprezava e se achava superior ou era mau humorada ou qualquer coisa do tipo. Assim como a gente sempre tem alguém da família que julgamos ser mais 'desnaturado' ou menos integrado, ou mais frio em relação aos problemas. Assim como a gente sempre tem uma tia ou uma irmã ou uma prima que é malvada.
Malévola jogou uma maldição horrível em uma 'praga' que considerou como vingança. e todos ao seu redor a consideram uma bruxa do mau. Quando na verdade, somente ela desenvolveu o true love pela garota. Quando somente ela foi a fada madrinha. Quantas vezes deixamos de nos aproximar de alguém porque ela é a bruxa malvada e depois descobrimos que era apenas uma circunstância que a conduzia para o mau.
Mas será mesmo que todo mau é justificado por uma ação ruim? Porque sempre consideramos que somos pessoas boas, porque sempre consideramos que as pessoas que estão ao nosso lado são perfeitas? Até que essas pessoas por perto 'deixam a máscara cair' e vemos o quão ruim elas eram. Como se nada mais fosse bom nelas. Como se ela tivesse se mantido ao seu lado somente e exclusivamente por algum interesse. Já dizia Deleuze que toda relação é constituída por interesse, seja ela qual for.
Eu concordo com a Disney, os vilões não são de todo vilões. As vezes eles também são heróis. Mas será que as ações ruins podem sempre justificar o mau? Só porque alguém feriu meu coração, tomou uma atitude errada comigo ou deixou de ser meu amigo quando eu mais precisei eu devo deixar de amar? Eu devo me vingar e através dessa vingança perceber e entender que isso não me leva a lugar nenhum? Fico confusa entre o bem e o mau. Entre o bom e o mal. Fico confusa entre as atitudes que tomamos, entre os pensamentos que temos, entre as experiências que passamos. Tudo nos molda, tudo faz de nós pessoas boas e ruins ao mesmo tempo.
Pelo menos agora a gente sabe que as pessoas não nascem ruins, ou pelo menos agora as nossas crianças vão acreditar nisso.
Sem conclusões nem julgamentos. Apenas pensamentos e questionamentos habituais.
No domingo fui ao cinema ver o comentado Malévola, com a sensacional Angelina Jolie.
Fiquei pensando sobre vilões e toda essa nova onda sobre ser bem ou mau que a Disney anda colocando na cabeça das crianças. Afinal de contas, ter atitudes ruins podem ser justificadas por experiências ruins e/ou mal resolvidas do passado?
Será que uma pessoa nasce do mau ou se torna do mau?
Já havia pensado sobre isso dentro do ambiente de trabalho. Porque há sempre no seu relacionamento profissional o vilão, assim como há sempre o vilão na escola e em todas as situações que vivemos. Sempre há alguém 'do mau'. Só que será que eu já não fui 'do mau' para uma outra pessoa sem nem saber?
Porque nenhum de nós é perfeito afinal. Será que eu já não despertei em alguém um sentimento que abominei quando aconteceu comigo? Dessas coisas simples que a gente faz no dia a dia mesmo, como deixar de dar atenção necessário para um amigo quando ele mais precisa e a gente está ocupado demais com nossa felicidade ou com nossos problemas que julgamos sempre serem maiores e mais sérios.
Ana, sempre considerou a irmã mais velha uma 'bruxa malvada' em Frozen. Ela sempre achou que a irmã mais velha a desprezava e se achava superior ou era mau humorada ou qualquer coisa do tipo. Assim como a gente sempre tem alguém da família que julgamos ser mais 'desnaturado' ou menos integrado, ou mais frio em relação aos problemas. Assim como a gente sempre tem uma tia ou uma irmã ou uma prima que é malvada.
Malévola jogou uma maldição horrível em uma 'praga' que considerou como vingança. e todos ao seu redor a consideram uma bruxa do mau. Quando na verdade, somente ela desenvolveu o true love pela garota. Quando somente ela foi a fada madrinha. Quantas vezes deixamos de nos aproximar de alguém porque ela é a bruxa malvada e depois descobrimos que era apenas uma circunstância que a conduzia para o mau.
Mas será mesmo que todo mau é justificado por uma ação ruim? Porque sempre consideramos que somos pessoas boas, porque sempre consideramos que as pessoas que estão ao nosso lado são perfeitas? Até que essas pessoas por perto 'deixam a máscara cair' e vemos o quão ruim elas eram. Como se nada mais fosse bom nelas. Como se ela tivesse se mantido ao seu lado somente e exclusivamente por algum interesse. Já dizia Deleuze que toda relação é constituída por interesse, seja ela qual for.
Eu concordo com a Disney, os vilões não são de todo vilões. As vezes eles também são heróis. Mas será que as ações ruins podem sempre justificar o mau? Só porque alguém feriu meu coração, tomou uma atitude errada comigo ou deixou de ser meu amigo quando eu mais precisei eu devo deixar de amar? Eu devo me vingar e através dessa vingança perceber e entender que isso não me leva a lugar nenhum? Fico confusa entre o bem e o mau. Entre o bom e o mal. Fico confusa entre as atitudes que tomamos, entre os pensamentos que temos, entre as experiências que passamos. Tudo nos molda, tudo faz de nós pessoas boas e ruins ao mesmo tempo.
Pelo menos agora a gente sabe que as pessoas não nascem ruins, ou pelo menos agora as nossas crianças vão acreditar nisso.
Sem conclusões nem julgamentos. Apenas pensamentos e questionamentos habituais.
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