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domingo, 8 de setembro de 2013

da saudades

Coloquei a minha vida dentro de meia dúzia de caixas e duas malas de 42 kg. As caixas foram pelo correio e eu espero sinceramente que cheguem bem e inteiras. As malas foram comigo, dentro de um avião que me fazia embarcar no desconhecido. 
De lembranças eu tinha alguns porta-retratos, livros e uma daquelas bandeiras cheia de rabiscos de despedida que os amigos bêbados escreveram no bar ontem a noite. Amigos esses que estão fazendo um super drama por eu ter escolhido ir embora e sem data para voltar.
Um dia inteiro dentro de um avião e um apertamento com móveis desconhecidos em uma avenida suja e movimentada em qualquer lugar bem longe de qualquer um dos outros lugares que eu chamo de casa. 
Abri as malas e coloquei alguns porta-retratos na cabeceira da cama, talvez para tentar fazer com que aquele lugar seja um pouquinho mais meu agora. Para que eu possa chamar de casa o quanto antes.

Mais um vez é hora de lidar com a saudades. Não daquelas que te fazem querer voltar no tempo e viver tudo de novo e estar do lado de todas aquelas pessoas do mesmo jeito outra vez. A saudades de quem convive com e aprende com a mudança abre um buraco no peito e ainda assim te faz sorrir.
Porque você lembra daquele sorriso amigo e daquele colo que só se pode encontrar a muitas milhas de distância e você tem absoluta certeza que viveu aquele momento porque precisava daquilo, mas que agora não precisa mais. 

A saudade te faz chorar e te faz pensar em voltar, em desistir. Mas todas aquelas pessoas que ficaram estão esperando que você siga em frente e você segue. Porque passou e já é hora de viver outras vidas, outros amores, outros amigos, outras paixões, outros ventos e outros mares.

Abri a janela e vi aquela cidade iluminada pelo crepúsculo de outono. Pôr-do-sol e luzes começando a se acender. Resolvi levar a saudade para passear, já que ela vai me perturbar incessantemente até que eu consiga chamar esse novo lugar de casa. Então, ela vai continuar ali, a saudade, ela nunca some do meu peito. Mas vai fechar a ferida e somente fica a mais uma cicatriz, daquelas que começam a coçar quando o tempo muda. 


quarta-feira, 31 de julho de 2013

cheiros, sentidos e saudades

Quando você sente um cheiro e instantaneamente vem à cabeça uma cena, um momento, um vida, um saudade.
Daquelas que você entra em um ambiente e lembra-se de um sorriso e te das saudades.
Cheiros que você sente todos os dias, mas que só percebe que sentiu quando ele vem em outro lugar, de outra pessoa.
Um perfume que você se acostuma, mas percebe que lembra uma pessoa quando você está andando sozinho na rua e alguém passa usando o perfume do seu melhor amigo, do amor da sua vida, daquele querido distante que você não vê a tanto tempo. E não precisa de nada, a pessoa em questão vem e fica lá. O dia todo, fazendo a saudades doer. Maldita saudades, que vem de coisas boas e dói.
E daí você sente um cheio de madeira, de bosta de cavalo, cheiro de vento, cheiro de mar. E daí vem em sua cabeça um momento, uma fase da vida, um lugar. E a maldita saudades.
Hoje eu senti o cheiro de Rural. E mesmo antes de formar deu um aperto no coração, um desespero, um lance que eu vou sentir saudades desesperada disso pra sempre. Desse cheiro de Rural, desse cheiro que só a Rural tem.
Cheiros que causam sensações. Cheiro que trazem lembranças. Cheiro de praia e mato misturados, cheiro de Floripa. Cheiro de saudades.