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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

freedom

li.ber.da.de
1 Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral. 2 Poder de exercer livremente a sua vontade. 3 Condição de não ser sujeito, como indivíduo ou comunidade, a controle ou arbitrariedades políticas estrangeiras. 4 Condição do ser que não vive em cativeiro. 5 Condição de pessoa não sujeita a escravidão ou servidão. 6 Isenção de todas as restrições, exceto as prescritas pelos direitos legais de outrem. 7 Independência, autonomia. 8 Ousadia. 9 Permissão. 10 Imunidade. 1 Regalias, franquias, imunidades, privilégios concedidos aos cidadãos pela constituição do país ou de que goza um país, uma divisão dele, uma instituição etc. 2 Maneira de proceder não sancionada pelas convenções sociais ou pelo decoro. 3 Familiaridade importuna; atrevimento, confiança: Tomar liberdades com alguém.

Quando eu terminei o namoro de um milhão de pensei que estava livre. Prometi para mim mesmo que não ia mais me apagar a nenhuma mulher por tempo suficiente para que eu pudesse curtir tudo que havia perdido. Eu me tornei o famoso "solteiro de carteirinha". Todas as possibilidades, todas as meninas incríveis que passaram pela minha vida, todos os amores de verão inesquecíveis que eu poderia ter vivido. Eu abri mão por um discurso de liberdade. Eu era livre de um relacionamento e acabei me prendendo a um não relacionamento.

Eu sempre tive medo de viajar, sair da minha zona de conforto, abrir mão de minhas raízes. E então eu passei para a faculdade e tive que morar a mil quilometro de todas as pessoas que eu mais amava na vida. Quando eu descobri o quão lindo é o mundo eu prometi para mim mesma que seria dele. Que as raízes não me prenderiam, que eu teria amigos em todos os lugares. Eu fiquei livre para o mundo e me prendi nas não raízes.

Eu nunca tive uma religião. Eu nunca achei que precisaria me prender a uma crença, a um ser maior, a um estilo de vida. Estar disposto a ver e conhecer qualquer coisa. Sem precisar me prender a um estilo de vida ou a uma doutrina. Eu fiquei livre para as tradições e me prendi ao não.

De que forma ser livre? Não se prender? Não ter raízes? Não acreditar? Será que o fato de ter um estilo de vida freedom é sempre ser "isenta de restrição externa ou coação física ou moral" é mesmo ser livre? O não é a liberdade?





quarta-feira, 29 de agosto de 2012

sobre morrer

um daqueles textos copiados e clichês. 
mas que nos faz refletir sobre uma vida que PRECISA ser vivida, porque inevitavelmente e quando a gente menos espera ela acaba. ENTÃO VIVA!



A morte, por si só, é uma piada pronta.
Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta ideia: MORRER!
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente... De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis.
Qual é? Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
Ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça. Por isso viva tudo que há para viver. Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida... Perdoe... Sempre!
Pedro Bial