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quinta-feira, 13 de março de 2014

Seja Minas Gerais

Foi Carnaval. E eu morando no Rio de Janeiro e me mantendo aqui o verão todo com a cidade cheio de turistas e altas temperaturas tudo que mais queria era correr daqui. Não necessariamente para o lugar que fui, mas meu pai decidiu e a ideia era manter o feriado em família.
Então o roteiro inicial foi Ibitipoca, MG.
Ibitipoca é um distrito de Lima Duarte que fica mais ou menos 1h de Juiz de Fora. Depois que você chega em Lima Duarte, vá até o posto de gasolina, enxa o tanque de seu carro e vá ao caixa e saque todo o dinheiro que você pretende gastar durante o tempo que estiver no vilarejo. É, lá não tem posto de gasolina e nem caixa eletrônico. Em alguns estabelecimentos de alimentos ainda aceita cartão, mas são bem limitados, então não arrisque! Depois de fazer os procedimentos necessários para sobreviver no fim de semana embarque em uma estrada de terra chão batido por mais uns 40 minutos.
O vilarejo conta com mil e poucos habitantes de acordo com o senso do IBGE de 2010. Então, já pense que o lugar é pacato e tranquilo. Até demais eu diria. 
Mas enfim, chegamos no sábado de carnaval sem ter reservado nada e conseguimos alugar uma das casas da Dona Conceição, quem indicou para gente foi o seu Zé do Arame e quem nos falou dele foi um moço de uma loja de lembrancinhas. #reflitam
A casa era bem grande, mas a Dona Conceição fez um preço legal porque estávamos só em três pessoas. 
A atração principal da cidade é o Parque Estadual. 

Esse, tem alguns caminhos e vários lugares para conhecer. Nós, uma família sedentária e louca, resolvemos fazer o caminho mais longo, a Janela do céu. 16km. 
Dicas e relatos de viagens podemos encontrar em diversos blogs e sites especializados aqui na internet. A minha opinião pessoal é o lugar sensacional, super vale a pena os 16km mas o caminho é BEM (bem mesmo) pesado. 


Depois de morrer na Janela do Céu passar o dia em Ibitipoca, resolvemos seguir viagem para Caxambu, viajamos mais algumas 2 ou 3 horas até lá e conhecemos as águas ruins e consideradas medicinais. Diz a lenda que a Princesa Isabel engravidou depois que começou a beber as águas do Parque das águas de Caxambu.


O resultado de tudo é que foram os 5 dias de carnaval em terras mineiras e a conclusão que tive é que o mundo precisa ser mais Minas Gerais. E eu nem quero abordar sobre os caras bonitos! Isso nem assunto para esse post.
Gente, não há igual em nenhum outro lugar que eu já fui. É mais do que ser educado, é ser prestativo.
Porque em nenhum outro lugar que eu já fui as pessoas te atendem sempre sorrindo, te dão tanta atenção pessoal. Em nenhum outro lugar que eu já fui os donos dos restaurantes veem até a mesa e perguntam se está tudo bem, se estamos sendo bem atendidos. E claro que a comida eu nem preciso comentar né? A gente sempre encontra uns quilos em algumas esquinas por lá. Eu comi um café da manhã tipicamente mineiro (rosquinhas, suco de laranja, pão de queijo -com queijo de verdade-, café com leite e  famoso pão de canela de Ibitipoca -delícia-), caraaaa dos Deuses!
Em nenhum outro lugar que eu já fui as pessoas param o que estão fazendo para te ajudar a chegar em algum lugar, para te dar uma informação, para te levar onde você precisa se for o caso.

Enfim, depois de 5 dias cheios de Minas Gerais eu consigo ter esperança de pessoas boas no mundo, de um mundo bom. Porque, em minha opinião, o mundo precisa de educação para começar. E encontrar um lugar com pessoas prestativas... Ah isso seria quase uma utopia, se eu não tivesse vivido isso.

Então, na primeira oportunidade que você tiver, vá  Minas Gerais e tente levar um pouco  daquela prestatividade. Vá até a Minas Gerais e seja um pouco de Minas Gerais.

terça-feira, 7 de maio de 2013

dispense o prefixo -in

Já quis escrever esse texto várias vezes. mas me faltou tempo, me faltou inspiração, me faltou saco para explicar sobre idéias. É que eu tenho evitado a fadiga, tenho evitado tudo e todos que eu sei que vai me deixar estressada/chateada/cansada.
Mas na verdade eu preciso escrever sobre isso. Poque quando eu escreve, tenho a sensação de que aquilo vira real. Eu tenho a sensação de que muitas pessoas vão ler e pensar a respeito. Então vai:
Descobri o maior problema do mundo!
Intolerância
Porque quem disse que funk é música ruim e rock é música boa? Quem foi que disse que drogados são marginais e ladrões? Quem falou que loira é burra? E de onde você tirou que falar pobrema é ser sem cultura? (um dia eu ainda vou falar de cultura aqui, não vou desviar o assunto, o lance hoje é o problema do mundo!) Mas ainda continuo: quem te disse que bater em mulheres no Oriente Médio é errado? Quando mesmo você começou a acreditar na balela ideia dos Direitos Humanos? Quem falou que eu quero queimar sutiãs e ser independente? Quem falou que eu não preciso de homens pra nada e que tenho que lutar contra o machismo? E quem falou que esse jornal ai da sua cidade em formato pequeninho que você paga entre R$ 0,50 e 1,50 é uma porcaria? E desde quando você tem certeza que a sua religião é a única coisa certa no mundo?
Dentre tantas outras indagações que eu poderia ficar por horas fazendo e que todas as vezes que alguém comenta eu tenho vontade de pular no pescoço e enfiar na cabeça só um pouquinho de tolerância. Independente do que você acredita, essencial é ter respeito para com o próximo e para com as suas ideias, os seus conceitos, as suas teorias, os seus pensamentos. Porque o funk é uma ótima música para quem se destina e não para você! Porque as mulheres do Oriente Médio tem uma cultura diferente e lutar a favor do tal dos Direitos Humanos nesses lugares é, em minha opinião, o mesmo que modificar a cultura. É a mesma coisa de alguém chegar aqui e me falar que eu não posso mais comer feijoada porque a vaca é sagrada na Índia! E porque ninguém diz que é errado não comer arroz todo dia? Ah é mesmo, porque os norte-americanos e os europeus não comem arroz todo dia e eles são primeiro mundo! Quanta hipocrisia! E sobre ser feminista? AH gente pára né, se a presidente Dilma acha que precisa ser chamada de presidenta porque o primeiro termo é machista, então eu vou exigir que me chamem de estudanta! Eu acho que a igualdade entre as pessoas (seja de sexos diferentes, de classe social, de cor de pela de tipo de cabelo) tem que ser trabalhada de forma diferente. Um cadeirante precisa de uma calçada adaptada para que ele possa se movimentar livremente na cidade, logo ele precisa de um tratamento diferente, exatamente por ser diferente! Odeio igualdade, odeio o socialismo!
Eu não vou me estender demais, o lance de todas essas palavras é fazer com que você pense duas vezes antes de julgar o Marcos Feliciano. É para você pense duas vezes antes de falar mal dos homossexuais. O lance de tudo isso aqui é para que você pense duas vezes antes de impor um conceito mastigada e ultrapassado sobre qualidade e igualdade. As pessoas são diferentes, e graças a Deus algumas ouvem funk e outras ouvem punk. Que bom que algumas fazem macumba e outras passam a vida dentro de um convento. Qual a graça de viver e não conhecer coisas novas? Qual a graça de andar pelo caminho e não descobrir? E viva a diferença! E viva o respeito e a tolerância com todas essas diferenças!



quinta-feira, 31 de maio de 2012

A favor da greve

Como jornalista eu deveria noticiar e relatar o que está acontecendo. EU deveria falar que 47 instituições de ensino superior federal estão em greve em todo país. E que isso resulta em mais de 1 milhão de alunos sem aula.
Como jornalista eu deveria explicar que os professores lutam pelo aumento do piso salarial, reestruturação de carreira e melhorias nas condições de ensino nas universidade desde o ano passado com o governo federal. E que pelo andar das coisas o governo não pretende ceder tão cedo sobre a restruturação de carreira e afins.
Mas na verdade eu preciso contar sobre mim. Até porque, esse é o intuito do blog.
Eu nunca entendi direito a greve sabe? Sempre achei uma idiotice as pessoas pararem de trabalhar para conseguir aumento ou outros direitos. Pensava aqui com minha ignorância que isso só deixaria os 'patrões' mais chateados e fariam com que eles ficassem mais bravos. Sempre achei que se você quisesse ganhar mais precisava trabalhar mais para isso. AH, doce ilusão romântica sobre o capitalismo que colocam em nossas cabeças.
Mas eu sempre pensei isso sobre a greve, talvez porque eu sempre relacionava com o ato de ficar em casa, esperando que alguém fizesse alguma coisa.
Claro que hoje em dia já aprendi o motivo e justificativa da greve, hoje já aprendi que não é trabalhando mais que se consegue direitos. E que a greve é uma medida extrema que deve ser tomada quando realmente não há outra saída.
Não vou envolver motivos pessoais que com certeza me faria ir contra a todas as alegrias e orgulhos que vou expor aqui. Não vou falar sobre o fato que simplifica muito mais as coisas para mim (em específico e nesse momento) o fato da UFSC não estar em greve. O mais importante nesse momento é falar da greve em sim.

Costumamos acreditar em algo porque vimos ou fizemos com que isso desse certo. Nunca tinha visto nenhuma greve em Universidades Federais tão de perto.
Acredito que a única forma de conquistar depois de não conseguir com negociações é ocupando e chamando a atenção. Já tinha comentado com as pessoas em relação a outras vivencias (dentro da Universidade inclusive). Ainda assim, só temos votos diretos hoje graças a um bando de estudantes malucos que foram as ruas pedir as Diretas Já.


Cheguei a acreditar que esse tipo de movimento não aconteceria mais. Ver os alunos de diversas universidades do país decretando GREVE foi emocionante, pelo menos pra mim. Ver esse vídeo, com tantas pessoas, com tantos JOVENS me fez ter uma esperança sobre um futuro. É claro que esses em torno de 2 mil pessoas que compareceram aí é praticamente insignificante perto de 1 milhão de alunos sem aula. Mas podemos ver atos como esses em todo o país. Hoje, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro fechou uma BR para protestar. TODAS ESSAS PESSOAS A FAVOR DA EDUCAÇÃO;
acho sinceramente lindo! Porque eu sempre acreditei que uma educação melhor é a chave para todos os problemas do país.
Aumentar significantemente o número de vagas nas instituições federais e não dar condições se quer para os professores darem aula não quer dizer progressos nenhum. Aumentar o número de vagas e se quer liberar contratação de professores não faz Universidade nenhuma de qualidade. Aumentar vagas e não dar condições de ensino, pesquisa e extensão não  trás excelência a ninguém.
PEDIMOS QUALIDADE DE ENSINO E NÃO QUANTIDADE DE VAGAS.

acredito sinceramente que atos de greve com manifestações chamam a atenção e resolvem problemas.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Brasileiros indecisos. Uma opinião sobre o Enem

Sinceramente, eu não consigo entender os brasileiros.
Ouvi durante toda a minha vida escolar no ciclo básico que os vestibulares eram injustos, desumanos, dificílimos. Sempre ouvi dizer sobre o exemplo americano no processo de seleção para um aluno ingressar um uma Universidade. Prova unificada para todos os estudantes, documentação e histórico escolar. (ou algo semelhante a isso).
Ok, então vamos lá unificar todo o processo também queridos brasileiros... E três anos depois, quando quase todas as Universidades Federais e Projetos de bolsas de estudos usam a “prova de unificação” para que os alunos ingressem e iniciem o curso de graduação, todo mundo se revolta e pede de volta os vestibulares injustos e desumanos.
Em 2009, quando passei pela fase “pré vestibular” teria matado o cara que roubou a prova do Enem só para mostrar o quanto sistema do governo tinha falhas. Eu havia estudado um ano inteiro e tinha me preparado e me programado para a prova naquele fim de semana. Depois, ela foi remarcada e tudo correu (relativamente) bem. Sim, eu sou uma aluna aprovada pelo primeiro ano do Sisu.
Acredito que unificar o sistema de avaliação no vestibular é o primeiro passo para uma melhora na educação. Falhas, erros, problemas, isso é inevitável, considerando a dimensão da prova. Sabe por que não há falhas no vestibular da USP (considerado um exemplo de organização para todo o país)? 146.885 estudantes realizam a prova (em 2012). 4 milhões de alunos fizeram o Enem em 2010.  Eu sei, não se justifica o fato, a prova precisa ser feita com mais cuidado e com mais zelo pelo governo brasileiro.
Ainda assim, são apenas três anos, e acredito que as coisas devem ir se colocando no lugar. A unificação dos vestibulares federais permitiu o acesso de muitos brasileiros, que antes não podia sequer sonhar em estudar em uma instituição publica e de qualidade.
Não entendo as revoltas, não entendo o problema geral do Enem. Não entendo os brasileiros sempre insatisfeitos. Não entendo a falta de valorização dos programas nacionais. Não entendo a falta de colaboração e a falta de tolerância com o Estado. Temos sim que lutar por uma educação melhor, temos sim que lutar por ensino de qualidade. Mas, em principio é necessário rever as prioridades e os frutos de novos programas.
Essa é uma das questões positivas

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Dia do Estudante


as 23:45 do dia 11 de agosto.


Eu não gosto dessa coisa de "datas especiais". Parei de vê-las como de fato especiais a partir do momento que percebi que as coisas mais especiais de nossas vidas acontecem em dias comuns. Entretanto eu não resisti... Falar sobre educação no (glorioso?) "Dia do Estudante" me pareceu algo propício, até pelo fato de que todos já fizeram seus cometários durante o dia.
Minha única certeza sobre o assunto: A educação (dessas que a agente recebe na escola) precisa SIM ser reformulada, o governo precisa em PRIMEIRO lugar investir nela. Se trata da base de todas as outras coisas. Minha concepção é que se temos uma BOA educação básica, teremos  um bom país, com bons cidadãos, com bons políticos e com bons profissionais.
Não que o investimento da saúde não seja importante, mas, quem vai formar um bom médico se não a professora que lhe deu aula na primeira série? Não que investimentos em moradia também não seja importante, mas, quem vai formar um bom engenheiro se não aquele profissional que lhe ensinou a fazer contas na segunda ou terceira série? Quem vai formar um professor para dar aula para futuros médicos e engenheiros se não um outro professor?
As crianças vão para a escola aos 6 anos, sem referencia nenhuma de adultos ao não ser seus próprios pais, que podem ou não terem cumprido seu dever como tal. Cabe ao professor se colocar a disposição e a referencia dessa criança indefesa que saiu de casa pela primeira vez com intuito de estudar. Mesmo sem saber o que é ser um estudante, a criança sabe que isso DEVE ser uma coisa boa, caso contrário, seus pais (que supostamente) o amam tanto não lhes teria mandado para aquele lugar.
Entendam, eu não estou sendo alienada e dizendo que o resultado para todos os problemas do mundo é a formação de bons professores e o investimento em educação, mas com certeza a maioria desses problemas se neutralizariam se tivéssemos no mínimo consciência sobre a importância dos estudos na vida das pessoas.
Tenho uma teoria de que político nenhum tem realmente interesse em melhorar a educação básica. Porque se isso acontecer, a longo prazo talvez as pessoas entendam que aqueles que estão "no poder" não valem nada e os expulsem de lá. Mas isso é apenas uma teoria boba e sem importância.
Algumas coisas ainda permanecem em dúvida em minha cabeça. Muitas vezes, eu como estudante de graduação me pergunto porque eu estou me empenhando tanto em uma Universidade Federal quando um cara que pede dinheiro no sinal vai possivelmente ganhar a mesma coisa que eu depois de formada. Mas talvez a essência do estudante não seja mesmo ganhar muito dinheiro, seja fazer a diferença no mundo de alguma forma. Nos dias de hoje ser um estudante é um desafio, assumir esse papel é dificultoso e problemático. Eu não vou entrar no caso inversão de valores, não tenho certeza sobre tal assunto. Fato é que escolher estudar é muito mais escolher ser do ter.
Afinal de contas tivemos um presidente sem diploma universitário, temos um dono de televisão sem uma graduação e há pouco tempo assistimos um filme baseado na vida de uma prostitua milhonaria. Não estou dizendo que tais "personagens" não tiveram sua luta, o que quero dizer é que todos eles tem muitas coisas. Um universitário que vive longe da família (mesmo que de segunda a sexta) aprende muito mais sobre o ser, sobre amigos, sobre a formação de seu caráter e a educação que seus pais lutaram para lhe dar. Um universitário que trabalha o dia todo para pagar uma faculdade aprende muito sobre o ser quando tem que deixar de tomar aquele sorvete no sábado a tarde para não faltar na mensalidade da Faculdade no fim do mês.
E mesmo durante o ensino básico, escolhe-se ser um estudante. Escolhe-se levar a sério o que está sendo ensinado, escolhe-se respeitar e admirar seu professor pelo lindo trabalho que ele faz.
Concluo dizendo a vocês que escolher ser um estudante está muito além de conhecer para ter um vida melhor. Escolher ser um estudante é aprender sobre o ser e conhecer pelo prazer de saber sobre as coisas. Não é para qualquer um, talvez até você não escolha, seja escolhido.
Feliz daquele que tem prazer em estudar e saber que é através desse saber que vai se construir um ser que é diferente de todos os outros e que vai fazer a diferença sobre eles.

as 00:19