Quando você sente um cheiro e instantaneamente vem à cabeça uma cena, um momento, um vida, um saudade.
Daquelas que você entra em um ambiente e lembra-se de um sorriso e te das saudades.
Cheiros que você sente todos os dias, mas que só percebe que sentiu quando ele vem em outro lugar, de outra pessoa.
Um perfume que você se acostuma, mas percebe que lembra uma pessoa quando você está andando sozinho na rua e alguém passa usando o perfume do seu melhor amigo, do amor da sua vida, daquele querido distante que você não vê a tanto tempo. E não precisa de nada, a pessoa em questão vem e fica lá. O dia todo, fazendo a saudades doer. Maldita saudades, que vem de coisas boas e dói.
E daí você sente um cheio de madeira, de bosta de cavalo, cheiro de vento, cheiro de mar. E daí vem em sua cabeça um momento, uma fase da vida, um lugar. E a maldita saudades.
Hoje eu senti o cheiro de Rural. E mesmo antes de formar deu um aperto no coração, um desespero, um lance que eu vou sentir saudades desesperada disso pra sempre. Desse cheiro de Rural, desse cheiro que só a Rural tem.
Cheiros que causam sensações. Cheiro que trazem lembranças. Cheiro de praia e mato misturados, cheiro de Floripa. Cheiro de saudades.
"O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal.” LISPECTOR, Clarice
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quarta-feira, 31 de julho de 2013
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