Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de maio de 2015

Máscaras

Ele sempre foi o garoto perfeito. Quando namorava era fiel, quando estava solteiro era sincero. Não brincava com o sentimento alheio, era atencioso com as amigas, era gente boa com os amigos. Tinha lindo olhos claros. Todas as mulheres do mundo queriam. E aquela outra moça teve, teve ele nas mãos.
Foi um lance rápido, intenso e muito confuso. Só que a moça conseguiu ler, entender e interpretar cada pedacinho da cabeça dele. Ela conseguiu desfazer todas as máscaras de um bom garoto.
Não que ele fosse ruim, de jeito nenhum. Ele se fazia de bom, para fazer com que as pessoas o achassem malvado e então conseguir se esconder. Se escondia atrás de máscaras imensas, fantasmas gigantes. Era sua proteção. Era sua proteção para os problemas de saúde, da vulnerabilidade que sentia longe de casa, da personalidade de querer ajudar a todos. Sua proteção. Era sua proteção para a falta de personalidade, para a falta.
O que deu ruim é que a moça enxergou por trás daqueles lindos olhos claros. Ela também usava um monte de máscaras e reconheceu de longe um medroso como ela. O garoto ficou, em um primeiro momento, encantado. Mas depois assustou. Porque saber de todas as suas máscaras, conhecer todos os seus segredos, interpretar todas as atitudes assusta. Porque quando você usa mascaras, é justamente para que ninguém saiba o que vem por trás delas. E é assustador quando alguém descobre. Assim com tanta facilidade, o que a gente é de verdade. E aquele garoto menino que nem tinha aprendido o que era ficar longe da família ainda ficou desesperado. Ele não estava pronto para tirar as máscaras, não estava pronto para ter alguém que fosse mais que ele por perto. O garoto menino era só um menino. Não estava preparado para uma mulher independente que o via totalmente diferente que o mundo via, que o enxergava de um jeito que ele não queria ser enxergado, que não esperava. Afinal, tinha dado certo nos últimos 19 anos né?
Só que houveram complicações. Porque a garota achou que estava tudo perfeito. Afinal, ter a boa capacidade de leitura nunca foi um problema para as pessoas né? Ele sumiu, correu, fugiu, evitou e ela ficou sem saber o que fazer, sem saber o que fez. Mal sabia que não podia sair assim tirando as máscaras das pessoas. Mesmo quando você está completamente apaixonada por ela.
O menino encontrou uma menina - como ele - que era bem bobinha e nunca enxergou as máscaras. A moça colecionou mais uma máscara na vida e continuou caminhando, a procura de alguém que pudesse conviver com ela. A procura de alguém que - como ela tentou fazer - tirasse todas as suas máscaras, despisse ela toda. Ela ficou procurando alguém que entendesse seu olhar, por trás da mascara de felicidade.
Enquanto ele viveu uma vida morna e feliz com a menina boba. Um vida confortável e cheia de máscaras.
O garoto sentiu falta da moça para sempre. A moça nunca encontrou alguém que conseguisse tirar todas as suas amarras.


segunda-feira, 13 de abril de 2015

(não) me liga de novo

Mais uma vez sozinha no apartamento de uma grande cidade que não sabe que eu existo. O mundo me falou que não era você. O meu sexto sentido, a minha melhor amiga e até a minha mãe que é tão desligada soube que não era. Mas você era lindo demais, sabia tocar violão e compunha músicas. O típico artista que não gosta de nada além de você mesmo. Eu não te culpo sabe? Você sempre me disse que não sabia se apaixonar. E eu também não sabia, então fiquei tranquila. Você sempre me disse que queria conquistar o mundo. Só que eu nunca acreditei né, você odiava passar o fim de semana comigo na cidade grande. Acho que entendi que o problema era a cidade grande, quando na verdade o problema era eu. Porque tudo bem eu passar o fim de semana com você no interior, no seu porto seguro, no seu habitat natural né? Será que era tudo bem ou foi só mais um de seus jogos que eu nunca entendi as regras?
Eu cansei de brincar de jogos que não se parecem com jogos. Vamos só jogar poker? Pelo menos eu sei que você vai estar blefando! Porque agora eu tô sozinha de novo tá vendo? Eu deixei passar aquele garoto lindo só porque ele não tocava violão, foi isso que te contei na época lembra? Na verdade eu o mandei parar de gostar de mim porque foi naquele fim de semana que você me chamou para ir para Ilha Bela. Lembra que fim de semana incrível? Como eu poderia ficar com outra pessoa depois disso? Foi nesse fim de semana que eu descobri que você era uma droga, que eu estava viciada e não queria tratamento.
Mas eu tô sozinha, você terminou a faculdade e foi morar naquela fazenda que cria algum tipo de animal sob umas perceptiva nova de não exploração que não faz o mínimo de sentido pra mim. Você foi embora ontem e falou que me ligava quando o fim de semana fosse tranquilo, quando a casa tivesse limpa. Pra gente poder passar o fim de semana na fazenda. Eu odeio fazenda sabia? Já te falei o quanto a cidade grande me faz respirar e viver bem? E a fazenda fica a 4 horas daqui!
Me faz um favor agora? Liga pro menino que não sabe tocar violão, fala pra ele que você tem ferrado minha vida e que agora vai fazer alguma coisa boa. Fala pra ele que precisa que ele volte e me faça gostar dele. Faz outra coisa? Não parece mais não, fala olhando nos meus olhos que a gente nunca vai ter nada e que tá indo embora pra Groenlândia pra sempre. E que não vai voltar pra me buscar. Diz que todas as suas promessas não vão ser cumpridas.
Eu não quero mais acordar sozinha. Eu não quero mais estar numa cidade que ninguém sabe que eu existo. Eu não quero mais ser uma drogada e muito menos jogar seus jogos.
Só não esquece de me ligar quando chegar na fazenda ok?


quarta-feira, 18 de março de 2015

quando eu me apaixonei


cinco anos, um mês e doze dias. Mais do que meia década.
Eu já expus sentimentos sobre as crises pós mudança algumas muitas vezes e outras tantas falei da cidade que tenho vivido. 

Todo esse tempo a primeira pergunta das pessoas quando me viam ou percebiam o meu "R" puxado era "Você tá gostando do Rio de Janeiro?" E a minha resposta era sempre: "Eu estou me habituando". E o tempo passou. Doce tempo. 

Vez dessas que me fizeram a habitual pergunta eu percebi que há tempos eu não refletia mesmo sobre a minha resposta.

Eu sempre gostei do Rio de Janeiro, eu sempre quis mudar para cá e senti que esse era o lugar que eu precisava estar. Só que a vida aqui foi muito diferente do que os sonhos me mostrava. A  adaptação foi um inferno. As pessoas foram muito diferentes do que eu esperava que elas fossem. 

Mas depois toda a tempestade em alto mar passou e fez com que meu barquinho chegasse em um lugar seguro, iluminado, cheio de luz e muita alegria. E agora eu preciso dizer que estou pronta para viver o Rio de Janeiro. Um belo dia eu acordei e percebi que a cidade maravilhosa ficou realmente maravilhosa. Assim, de verdade como todo mundo descreve. 

Eu sou capaz de sorrir todos os dias, porque eu escolhi o Rio de Janeiro para ser o meu lar. Home. Assim mesmo, no sentido fraternal da palavra. Eu sou feliz todos os dias porque apensar de todos os problemas da cidade, de toda a cultura carioca que me irrita, de todo o transito maluco, eu consigo entender que o lado bom recompensa. Eu consigo sorrir por Santa Tereza, pelo show no fim de semana, ou pela Lapa no sábado a noite. Eu consigo sorrir pela quantidade de pessoas que conheci e que me fizeram alguém melhor, pelos amigos de verdade que me ajudam, que escutam minhas crises e que entendem minhas loucuras. Eu consigo sorrir pelo fato de saber realmente quem são as pessoas que se importam e que importam mas que estão longe. E consigo sorrir muito quando elas vem passar as férias na minha casa. Porque ser feliz é morar no lugar onde o mundo passa as férias. Eu consigo ser feliz porque, apesar do calor, eu tenho a praia, apesar do sol eu tenho a maresia, apesar do abafado eu tenho a chuva. Eu consigo sorrir porque sentir o clima, o vento e a vibe do Rio de Janeiro todos os dias é o sonho de muita gente no mundo, mas principalmente é o meu sonho sendo realizado. 

Agora não tem mais jeito, eu sou uma paulista cariocando. Eu sou uma paulista que vai ao shopping de havaianas e que usa bermuda com casaco no inverno. Agora não tem mais jeito eu sou moradora da Cidade Maravilhosa e gosto dela. Agora não tem mais jeito, eu estou perdida e completamente apaixonada pelo Rio de Janeiro.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

sobre ser fã

Eu terminei de ver o jogo do Corinthians hoje pela manhã e fui até o Barra Shopping. Eu não sabia o quão cedo eu precisava chegar para conseguir uma senha para a sessão de autógrafos.
Quando entrei na Fnac pela primeira vez no dia, o meu estomago subiu no pescoço, como se eu tivesse descendo uma queda de 90° numa dessas montanhas-russas gigantescas.
Fiz algumas coisas no shopping, comprei meu DVD Nega Lora e fui almoçar. Na volta coloquei meu nome e da mais nova companheiras de aventuras, Tamy.
E daí sentei em um banco qualquer, coloquei fones de ouvido ao som de Nega Lora e relaxei. Eu sabia que o dia seria longo. Lá pelas 16h eu comecei a ficar impaciente e nervosa. As senhas começariam a ser distribuídas as 17h. Dentre uns tweets e outros eu vi Claudia Leitte dizendo: Lendo as cartas da sessão de ontem na Fnac Morumbi. (ou algo nesse sentido) e me deu um estalo: eu preciso escrever uma carta! Corri até a papelaria dentro do shopping, comprei um bloco de folhas, uma caneta e um envelope. Voltei até a porta da Fnac e ali na entrada comecei a rabiscar uma carta. Escrevi tudo que eu precisaria falar para ela. Tudo que estava planejado para eu falar quando a visse, mais tarde, pessoalmente.
As senhas começaram a ser distribuídas, a Tamy chegou e depois já com a senha nas mãos nós fomos fazer um lanche. Comi batatas fritas e coca-cola.
Voltamos para a livraria e resolvemos sentar no café onde aconteceria a sessão de autógrafos para esperar ela chegar e depois irmos para a fila. Papo vai, papo vem, correria dentro do café, e percebemos que estávamos sentadas bem no corredor que vinha da cozinha, por onde ela chagaria. Surtei. Comecei a ficar impaciente, a sessão estava marcada para as 19h e ela não chegava. O dia até passou rápido, mas nessa hora demorava tanto. E eu olhava no relógio de 5 em 5 min. E olhava o twitter e nada daquela canttora dar sinal de vida. Eu suava frio. Tinha as mãos congeladas e molhadas de suor. E ela apareceu, eu vi um pedacinho de seus lindo e loiros cabelos por de trás do segurança que escondia. Assim que ela pisou no café, olhou para onde a galera estava gritando e ficou de costas para mim. Eu coloquei a mão em seu braço e ela virou. Cara, eu toquei em Claudia Leitte! O mundo parou. E ela olhou para mim! Ela é realmente de verdade! Chorei. Tentei tirar um foto, ela posou fazendo biquinho. Mas adivinhem: a foto não saiu. Ainda bem que eu tinha uma pessoa menos surtada ao meu lado que conseguiu pelo menos tirar foto. Ela passou, possou para fotos de novo, abraçou umas pessoas, sentou e começou a autografar. Ficamos eu e Tamy esperando chegar no número 83 e 84 para entrarmos e autografarmos nossos DVD e conversamos com aquela linda bonequinha sentada na mesa de vidro. Papos e perguntas na fila com outros fãns, daqueles que nunca viram, daqueles que veem quase sempre. Pouco mais de 1h e meia depois eis que entramos. Eu fui primeiro enquanto a Tamy tirava foto. Começou a tocar Telegrama bem nessa hora. E segue a reprodução do diálogo com ela. O mundo parou parte 2.
Eu: ... (só olhava e nada saia da minha boca)
CL: Respira, fica calma...
Eu: ... Eu, eu nuca... é a primeira vez que te vejo.
CL: E você está feliz?
Eu: Sim, é o dia mais feliz da minha vida, eu tô muito feliz!
CL: Qual seu nome?
Eu: Mariana
CL: Mari... (enquanto autografava meu DVD).
Eu: Eu escrevi essa carta, porque eu sabia que não ia conseguir dizer nada, então está tudo escrito aqui tá!
CL: Obrigada querida.
Eu: Nossa, eu te amo tanto, eu gosto tanto do seu trabalho.
CL: Obrigada! (...) Deixa eu ver essa unha...
Eu: (mostro minha unha)
CL: Linda!
Eu: Obrigada.
E daí alguém me puxou e me levou embora, eu nem sei como, mas quando eu vi eu já estava longe... E só deu tempo de falar: Você é uma pessoa muito iluminada! Sucesso...
E daí a Tamy já estava na mesa falando com ela, e eu peguei a câmera para tirar fotos enquanto tentava parar de tremar para alguma delas prestar. E logo em seguida a Tamy também foi tirada de lá e quando a gente tava indo embora ela falou: Vocês duas tem as unhas mais bonitas que eu já vi até agora. E só deu tempo de eu mandar um beijo, de longe e ela me mandou outro. E não foi desses que ela manda em cima do palco e que todas as vezes eu digo que é para mim, esse ela mandou olhando em meus olhos! Foi só meu!
E bom, parece uma conversa tosca reproduzida assim, escrevendo. Mas tudo foi recheado com olhares carinhosos e atenção exclusiva. De todos os artistas que conheci, de todos os relacionamentos com os fãns que eu já vi, essa foi a primeira vez que eu vi um tratamento tão carinhoso, com todos. Absolutamente todos os fãns!*
E depois, quando passa tudo e as coisas deveriam entrar no lugar, as memórias ainda vem a tona, um olhar, um abraço, uma música.
Hoje, enquanto eu escrevia a carta, eu tentava pensar e justificar como e porque alguém vira fã de outra pessoa. Conclui que é amor. Que a gente não explica, não entende, não faz sentido. Eu fiquei o dia todo dentro de um shopping para ver uma pessoa que nem vai me reconhecer se passar ao meu lado amanhã na rua. E não sai de lá arrependida, eu faria isso um milhão de outras vezes. E depois de modo com que ela me tratou, depois da verdade que era seu olhar hoje, eu faria isso muito mais de outras milhões de vezes.
Porque ser fã é isso, é estar ao lado, acompanhando e admirando a vida de alguém. Só pelo carinho, pela admiração. Pelo que o artista é, e pelo que ele representa em sua vida.

Eu sei que é clichê, mas eu preciso agradecer por ter a oportunidade de ser fã de alguém que se importa tanto com todos esses seguidores, com todas essas outras pessoas que acompanham a sua vida e que se alegram e sorriem junto com ela.
Eu tenho orgulho de dizer que sou fã de Claudia Leitte, principalmente depois de conhece-la pessoalmente hoje.
Quero e quero de novo.

Segue as fotos da noite







*não me responsabilizo pela total veracidade da cena descrita, eu certamente esqueci detalhes e conversas.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

de gente é essa vida?

Sim, eu vou comentar sobre a novela das seis aqui. Afinal tá todo mundo comentando mesmo... Acabei de ler essa crítica muiito boa no blog de Nilson Xavier, pesquisador e observador de telenovelas. Segue:

Embate entre irmãs de “A Vida da Gente” mostra que não existe vilão ou mocinho na novela
No capítulo desta terça-feira (13/02/2012) de A Vida da Gente aconteceu o embate mais aguardado da trama até agora, que resultou numa das melhores cenas da novela – se não a melhor: o desabafo ressentido entre as irmãs Manu (Marjorie Estiano) e Ana (Fernanda Vasconcellos), em que uma acusa a outra severamente.
Veja aqui uma sequência de imagens desta cena descrevendo o que aconteceu.
O texto afiado de Lícia Manzo, numa cena bem dirigida, com a brilhante atuação das duas atrizes, resultou numa sequência de tirar o fôlego poucas vezes vista em nossa teledramaturgia.
 Até agora, a autora levou as duas personagens de uma forma a dividir opiniões e o público. Os telespectadores torciam por Ana ou por Manu – de onde se formou nas redes sociais o#TeamAna e o #TeamManu. As razões que levam o público a torcer por uma ou por outra personagem se limitam à identificação, ou à leitura individual que cada telespectador faz de cada uma das irmãs. Os que se identificam com Manu, defendem-na, enquanto há aqueles que preferem Ana e estão ao seu lado.
Na cena citada, a autora deixou claro que não existe a vilã nem a mocinha na novela. Cada uma, dentro de seu universo e individualidade, teve motivos para agir da maneira que agiu, ou sentir o que sentiu. A quem cabe julgar qual delas agiu de maneira correta ou errada quando as duas cometeram erros? Ana e Manu foram, na realidade, vítimas da situação em que se encontraram.
Se a autora quis incitar julgamentos e discussões acaloradas sobre o comportamento de cada uma, conseguiu. Mas como todo bom escritor, para além de provocar seu público, Lícia traz à tona uma reflexão bem realista. Muito longe do maniqueísmo vigente em nossa teledramaturgia, a autora se apoia no realismo e lembra que não existe vilão na vida da gente.
Cabe a Manu e a Ana reconhecer que cada uma errou, dentro de sua limitação. Só assim poderão encontrar – talvez não uma solução, mas, pelo menos – um entendimento para que possam prosseguir suas vidas sem mágoas ou ressentimentos. Afinal, elas são irmãs, e tem uma filha em comum.
o blog dele


E com toda certeza a cena da briga de Manu e Ana é histórica para a televisão brasileira, uma das melhores (se não a melhor) da novela toda.
Mas preciso discordar em relação ao realismo da autora, ao mesmo tempo que ela está tendo todo o cuidado do mundo em demostrar um "vida da gente" sem vilões e culpados, ela vem demonstrando um amor que dura a vida toda e supera o tudo e o todos. E eu fico me perguntando quem é a gente dessa vida? Porque é claro que todo mundo tem um amor de infância no qual sonha em largar tudo e viver feliz para sempre. Mas, algumas vezes a vida barra o grande amor e o que a gente deve fazer se não ir viver um novo grande amor? Correr para sempre atrás daquele amor de infância não te faz mais apaixonado ou uma pessoa melhor, te faz um idiota (tipo o Rodrigo)!
Entendam, não estou dizendo que ninguém consegue se casar e ser feliz com seu amor de infância, entretanto no caso Ana, qualquer pessoa comum no "mundo real" já teria se casado com o Lúcio e sido feliz e desencanado de um amor que já "abortado" (como ela mesmo disse) várias vezes. 
E claro que no final ela vai conseguir ser feliz com o Rodrigo, porque é uma novela e o grande amor sempre prevalece! Porque é assim que acontece nas novelas certo? A mocinha vai sempre se casar com o amor de sua vida e terminar a novela grávida dele. Portanto, não discutiremos realismo certo?
Quando alguém souber quem é essa gente ai que a autora conta na novela me avisem, por favor... 

domingo, 17 de abril de 2011

uma ong. um projeto. uma família.

Me peguei com vontade de falar de uma vida. Me peguei com vontade de contar uma história. Me peguei com vontade de expressar algo que já está em meus pensamentos e em meu coração sabe lá há quanto tempo.
Campinas, uma cidade há mais ou menos 90km da capital de São Paulo. Jardim do Trevo, um bairro dessa cidade bem perto do centro, bem cheio de coisas, comércios, pessoas. Pouca moradia, muito trabalho, muita correria. Prodança, um projeto social, uma ONG, uma familia, dentro de uma bairro corrido, da cidade no interior de São Paulo.
Conheci o Projeto aos 7 anos dentro da minha escola. Depois de alguns anos ali, uma oportunidade de bolsa numa boa academia de Campinas.Mas depois veio a mudança de escola e o Prodança sumiu de minha vida. Alguns anos depois, já havia passado por várias academias, feito algumas amigas, e só continuava no mundo da dança porque uma paixão incontrolável pulsava em meu peito. Mas dentro das academias, junto a tantas outras pessoas com realidades tão diferentes das minhas pouca coisa fazia sentido. Até que me reencontrei por acaso com o Prodança de novo. Então, mais madura, mais certa de si, consegui achar meu lugar.
Passei a frequentar o Barracão de Arte e Dança praticamente todos os dias da semana, fazer todas as aulas e modalidades possíveis. Passei a dar aula de ballet  e descobrir uma nova forma de me realizar e de me ver feliz através de minhas alunas. Passei a participar de competições e ter uma convivência quase que diária com todos lá dentro. Então eu redescobri o significado da palavra familia. Ninguém estava tão perto, ninguém entendia tão bem, ninguém completava tanto, ninguém sabia tanto de minha vida, ninguém conhecia tanto quanto as pessoas ali de dentro. E foi uma linda história, e foram lindos momentos, e foram inesquecíveis lições, aulas, amores, amigos, alunas, teatros, coreografias, ensaios, calos, bolhas, fotos... Amigos foram e vieram. Permaneceram ou sumiram. Cada um seguiu sua vida, mas todos com o mesmo amor pelo projeto que atualmente já virou uma ONG. Talvez o que cada um ali dentro sente é muito mais do que amor, gratidão. A palavra que melhor expressa o sentimento é devoção. Alguém já pensou sobre o significado dessa palavra? DEVOÇÃOVeneração especial.Reverência. Acatamento. 
E é claro que há problemas, é claro que não é perfeito. Afinal de contas, que graça teria um lugar perfeito? Mas há a devoção, que passa por cima de todo e qualquer obstáculo, que faz nós, a familia Prodança querer sempre o melhor para todos, faz com que mesmo que você se afaste você sinta a vontade pulsando em voltar, em participar, em estar junto, em querer o melhor.




E todos já sabem que a vida fez com que eu me afastasse, a vida fez com que todos os meus sonhos fossem interrompidos, para que fosse tras de sonhos que na época eram considerados mais importantes. Só que a vida é boa com a gente as vezes. Na ultima semana, eu tive a oportunidade de desenvolver um trabalho e de estar dentro da familia Prodança durante dois dias inteiros. E nesses dias eu pude reafirmar que tudo que eu sentia lá dentro era verdadeiro e recíproco por todos os outros. Tentando me distanciar e executar o meu trabalho com a mínima interferência possível, eu vi nos olhos de cada um ali a devoção. De fora de tudo eu vi a familia, eu vi o amor. Não pela dança, não pelas aulas. Eu vi o amor pela instituição, eu vi o amor pelo projeto, eu vi o amor pela ONG. De fora da familia Prodança eu pude ver o quanto tudo aquilo ali é especial, único e inexplicável. É claro que nem metade das pessoas que vivem ali dentro podem entender o que eu estou dizendo. Algumas delas só vão quem sabe entender um dia... Talvez quando elas se forcem a ficar fora da familia por algum motivo. Pode até soar contraditório, mas quanto mais eu queria me distanciar, mais eu me sentir perto, mais eu me sentia dentro. E mesmo daquelas pessoas que nem cheguei a conhecer, mesmo daquelas pessoas que nem sabia quem eu eram e não tinham ideia da minha devoção pelo Prodança, mesmo delas eu me senti da familia. E colocando o significado de familia temos: de famíliafamiliar; íntimo; sem cerimónia.




Deixei o Prodança com um ar que voltaria no dia seguinte, e mesmo que eu não voltasse aquilo ainda faria parte de mim. Mesmo que eu ignorasse por muito tempo, mesmo que eu não conhecesse mais ninguém a voltar para lá. Ainda assim a instituição faria parte de minha vida. Ainda assim tudo que acontece ali teria de alguma forma ligação comigo. Hoje eu tenho um pedaço do Prodança em meu coração, e com certeza tem um pedaço de mim no coração daquela ONG. 
Dias depois que cheguei apareceu em meu orkut um recado: 'Você se foi e deixou saudades." Um frase tão simples e cheia de significados. A frase que me fez entender tudo que aquele lugar significa(va) em minha vida. 
Só então eu percebi que mesmo tento "indo" eu ainda faço parte de tudo aquilo e eles ainda fazem parte de mim. E eu peso licença para todos que participam e se mantem ali todos os dias, mais familia é familia. Uma vez dentro dela, a gente nunca mais consegue se desvincular. 



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A Jaula de Humanos



Leticia e Mari Mendes em minha casa. O plano de sábado era ir ao Shopping Via Parque, encontrar a Taís lá, visitar a Casa de Vidro do Big Brother Brasil 11. E fomos. Enfrentamos um calor (a)normal do verão carioca de ônibus. E logo que chegamos na Avenida Ayrton Senna, onde se encontra o shopping já pudemos perceber o tamanho do tumulto que aquela "Casa de Vidro" estava causando. Na entrada a fila de carros estava grande, e isso causava um pequeno congestionamento que se refletia no transito da avenida. Ao entrar no shopping não foi muito dificil encontrar o lugar procurado. Tanto pelo shopping não ser muito grande, quanto por a maioria das pessoas estarem se encaminhado para lá. E quando avistamos a casa foi a decepção: "Achei que isso fosse bem maior!". É isso que a mídia nos mostra sempre certo? A Grandeza!



E ao observar todas aquelas pessoas gritando:"Michelle, eu te amo!" comecei a me perguntar o que fazia com que elas amassem alguém que mal conhecem, e que a principio não tem nenhum talento em especial. E bom, dai vocês já podem perceber onde isso foi parar, é o instinto jornalisco onde quer que eu esteja. Na mesma hora eu e Leticia tivemos uma ideia: "Isso tem tudo a ver com o Necom! Vamos fazer pesquisa de campo (no campo!)" E a partir dai eu nao me importei muito com os Brothers, afinal eu assisto o programa nas terças feiras só para ouvir o (lindo) texto do Bial!



Começamos a programar as perguntas e até pensamos que seria legal tentar uma entrevista com um dos Brothers. Ou com o Vinicius Valverde. Só que jornalista não gosta de entrevista certo? Conseguimos conversar com uma moça da produção, Isabela.
Ela nos contou que não se precisa fazer muito coisa para as pessoas irem até o shopping. É só colcoar a casa lá e todo mundo vai, que as espctativas sempre são atingidas... Ah gente, fala sério! Brasileiro é mesmo alienado né? Pensem, os Brothers estão dentro de uma "jaula" de luxo, e as pessoas passam em frente a ela como num zoologico para ver animais, e todo mundo acha um máximo! E eu não vou ser hipócrita, eu também acho, eu fui lá ver. Claro que muito mais por curiosidade do que por amor as pessoas que estavam lá como animais. E refletindo um pouco mais, amor? Bem banalizada essa palavra, afinal de contas será que é possivel amar alguém que você não conhece? Que nem sabe da sua existencia? Talvez um pouco de exagera chamar de amor certo?



Entramos na fila, para passar em frente a "jaula" e ver o animais de perto. E na fila começamos a questionar umas meninas de 13 anos, sobre o amor que elas sentem pelo... Igor o nome dele? E elas super defendendo sabe? "Ah porque ele é sincero, ele foi injustiçado ao sair! Eu amo o Igor como uma relação de fã, ídolo sabe?" E eu: "Você acredita que é possivel ser 'você mesmo' em frente as cameras?" E ela: Não. Tem que jogar um pouco também né, por isso que eu gosto tanto do Igor, ele é tão sincero!" E eu continuo a me questionar depois de já ter entrevistado a garota: Como ele pode ser sincero e estar jogando? Ela não acabou de me dizer que não é possivel ser você mesmo diante das cameras? E essa coisa de ídolo? Meu Deus! O que ele faz para que ele se torne um ídolo? Qual é o talento dele?



Passar em frente a jaula é de fato muito interessante, os Brothers lá sorrindo, pulando, fazendo gracinhas, como verdadeiros macacos pedindo banana no Zoológico. A diferença é que eles pedem votos. "Me deixe voltar para A Casa!"


Casamos, eu, Leticia, Mariana, Taís. Fomos almoçar. E quando eu chego na Praça de Alimentação recebo o telefonema de minha mae: "Onde você tá? o Vinicius Valverde está aqui na minha frente, na fila pro almoço!" E lá fomos nós quatro, correndo para o outro lado da Praça de Alimentação com a minha mae. E dai aquela indecisão, ou a gente pode a foto, ou a gente pede as perguntas... A FOTO! Afinal de contas ninguém é de ferro! hahahahahaha.



E depois lá no meio da praça de alimentação encontramos a familia da Michelle. E ai sim resolvemos ser profissionais, fomos lá fazer as perguntas. "Você acha que sua filha está sendo a mesma pessoa lá dentro?" E a mãe: "Ela está sendo exatamente a mesma! Pena que ninguém ainda entendeu ela!" e eu: O que é mais importante? o dinheiro ou o auto reconhecimento, ou o reconhecimento das pessoas?" E o pai: "O dinheiro é importante, mas a midia muda muito a vida das pessoas também, quem não gosta de ser reconhecido?"
Pronto, a gente não precisa comtar mais nada depois disso né?

Vamos almoçar, eu estou morta e cansei de trabalho por hoje! Tchau!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Tá vindo um carro-bomba na contramão

A Terra tá soterrada de violência
De guerra, de sofrimento, de desespero
A gente tá vendo tudo, tá vendo a gente
Tá vendo, no nosso espelho, na nossa frente
Tá vendo, na nossa frente, aberração
Tá vendo, tá sendo visto, querendo ou não
Tá vendo, no fim do túnel, escuridão
Tá vendo no fim do túnel escuridão
Tá vendo a nossa morte anunciada
Tá vendo a nossa vida valendo nada
Tô vendo, chovendo sangue no meu jardim
Tá lindo o sol caindo, que nem granada
Tá vindo um carro-bomba na contramão
Tá vindo um carro-bomba na contramão
Tá vindo um carro-bomba na contramão
Tá vindo o suicida na direção

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
porque se você parar pra pensar a verdade não há"

A bomba tá explodindo na nossa mão
O medo tá estampado na nossa cara
O erro tá confirmado, tá tudo errado
O jogo dos sete erros, que nunca pára
7, 8, 9, 10... cem
Erros meus, erros seus e de Deus também
Estupidez, um erro simplório
A bola da vez, enterro, velório
Perda total, por todos os lados
Do banco do ônibus ao carro importado
Teu filho morreu? meu filho também
Morreu assaltando, morreu assaltado
Tristeza, saudade, por todos os lados
Tortura covarde, humilha e destrói
Eu vejo um Bin Laden em cada favela
Herói da miséria, vilão exemplar
Tortura covarde, por todos os lados
Tristeza, saudade, humilha e destrói
As balas invadem a minha janela
Eu tava dormindo, tentando sonhar

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
porque se você parar pra pensar a verdade não há"

Sou um grão de areia no olho do furacão
Em meio a milhões de grãos
Cada um na sua busca, cada bússola num coração
Cada um lê de uma forma o mesmo ponto de interrogação
Nem sempre se pode ter fé
Quando o chão desaparece embaixo do seu pé
Acreditando na chance de ser feliz
Eterna cicatriz
Eterno aprendiz das escolhas que fiz
Sem amor, eu nada seria
Ainda que eu falasse a língua de todas as etnias
De todas as falanges, e facções
Ainda que eu gritasse o grito de todas as Legiões
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras que eu mais quero repetir na Vida?
Felicidade, Paz, fé...
Felicidade, Paz, Sorte
Nem sempre se pode ter Fé, mas nem sempre
A fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte.

Palavras Repetidas, Gabriel o Pensador.

o amor tudo supera, tudo suporta. e são tantos problemas no mundo, e são tantas contradições, tanto odeio, tanto desamor, tanta falta de fé... E a gente não sabe o que fazer pra melhorar tudo isso, e a gente desacredita que isso pode melhorar. E a gente se acomoda com esses problemas, e gente acaba achando tudo isso tão normal.
Mas, será que é mesmo normal morrer tantas crianças desidratas todos os dias no mundo todo? Será que é mesmo normal tantos jovens sem perspectiva de vida? Será que é mesmo normal tantas pessoas inocentes sendo mortas por balas perdidas? Será que é mesmo normal tantos sequestros, tantos assaltos, tanta violência? Será que é mesmo normal tantos desabrigados, tantos mendigos? A gente devia chorar toda vez que visse isso, devia se indignar e não aceitar. Mas... chorar resolve alguma coisa? Ahhhh, seria muito bom se resolvesse.
E tantos se questionam como mudar o mundo, como melhorar e/ou resolver tantos problemas tão sérios. E ninguém chega a uma conclusão...
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há

AME. Ame incondicionamente, ame sem olhar a quem. Ame, simplesmente ame. DOE-SE, de o melhor que você tem a quem não tem nada. Ensine o que você sabe de melhor a quem não sabe nada. Mesmo que o que você saiba de melhor seja dormir. Tem gente que não sabe o que é dormir, o que é descansar o corpo, o que é sonhar. SONHE, mas não se entregue aos sonhos, lute por eles... Maas, não deixe de amar. Ame, ame muito!