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segunda-feira, 13 de abril de 2015

(não) me liga de novo

Mais uma vez sozinha no apartamento de uma grande cidade que não sabe que eu existo. O mundo me falou que não era você. O meu sexto sentido, a minha melhor amiga e até a minha mãe que é tão desligada soube que não era. Mas você era lindo demais, sabia tocar violão e compunha músicas. O típico artista que não gosta de nada além de você mesmo. Eu não te culpo sabe? Você sempre me disse que não sabia se apaixonar. E eu também não sabia, então fiquei tranquila. Você sempre me disse que queria conquistar o mundo. Só que eu nunca acreditei né, você odiava passar o fim de semana comigo na cidade grande. Acho que entendi que o problema era a cidade grande, quando na verdade o problema era eu. Porque tudo bem eu passar o fim de semana com você no interior, no seu porto seguro, no seu habitat natural né? Será que era tudo bem ou foi só mais um de seus jogos que eu nunca entendi as regras?
Eu cansei de brincar de jogos que não se parecem com jogos. Vamos só jogar poker? Pelo menos eu sei que você vai estar blefando! Porque agora eu tô sozinha de novo tá vendo? Eu deixei passar aquele garoto lindo só porque ele não tocava violão, foi isso que te contei na época lembra? Na verdade eu o mandei parar de gostar de mim porque foi naquele fim de semana que você me chamou para ir para Ilha Bela. Lembra que fim de semana incrível? Como eu poderia ficar com outra pessoa depois disso? Foi nesse fim de semana que eu descobri que você era uma droga, que eu estava viciada e não queria tratamento.
Mas eu tô sozinha, você terminou a faculdade e foi morar naquela fazenda que cria algum tipo de animal sob umas perceptiva nova de não exploração que não faz o mínimo de sentido pra mim. Você foi embora ontem e falou que me ligava quando o fim de semana fosse tranquilo, quando a casa tivesse limpa. Pra gente poder passar o fim de semana na fazenda. Eu odeio fazenda sabia? Já te falei o quanto a cidade grande me faz respirar e viver bem? E a fazenda fica a 4 horas daqui!
Me faz um favor agora? Liga pro menino que não sabe tocar violão, fala pra ele que você tem ferrado minha vida e que agora vai fazer alguma coisa boa. Fala pra ele que precisa que ele volte e me faça gostar dele. Faz outra coisa? Não parece mais não, fala olhando nos meus olhos que a gente nunca vai ter nada e que tá indo embora pra Groenlândia pra sempre. E que não vai voltar pra me buscar. Diz que todas as suas promessas não vão ser cumpridas.
Eu não quero mais acordar sozinha. Eu não quero mais estar numa cidade que ninguém sabe que eu existo. Eu não quero mais ser uma drogada e muito menos jogar seus jogos.
Só não esquece de me ligar quando chegar na fazenda ok?


quinta-feira, 31 de julho de 2014

despedir-se

Eu já sabia que chegaria a hora.
Da mesma forma que chegou a hora de deixar o colégio, deixar Campinas, deixar a Travessa, deixar Florianópolis, deixar a Europa, deixar a faculdade. A vida no final das contas é uma série de eventos que a gente deixa, até que enfim a vida nos deixa.

E ainda estou confuso só que agora é diferente, estou tranquilo e tão contente.

Eu estou tentado lidar bem com tudo isso, estou tentado ser forte e ultrapassar todo esse momento difícil como um adulta responsável e madura. E por muitas vezes tudo que tenho vontade de fazer é só sumir ou chorar. Mas nada disso resolveria o problema.

Mas estou pensando a melhor forma de deixar. Estou pensando em encarar isso como na maioria das outras vezes, dizer tchau e pensar que vou voltar amanhã. Só que agora é diferente. Agora eu também sinto que não é somente dizer tchau. As pessoas que convivem comigo diariamente precisam saber o quanto tudo isso mudou minha vida. O quanto tudo isso foi essencial para minha formação profissional e pessoal.
O problema é que não tenho conseguido escrever, na verdade eu não aprendi como dar tchau, como despedir-me, como e em que contexto expor tudo que preciso. Porque embora, para mim, faça todo o sentido e seja extremamente importante, as vezes não tenho certeza do quanto eu consigo expressar essa importância.

Chegou a hora de dar tchau, mas eu não sei como fazer isso.


sábado, 14 de setembro de 2013

final do fim de período

esse texto não é auto-biográfico. 
Mesmo assim tudo que eu escrevo tem um pouco de mim, assim como tem um pouco de ficção. Na verdade, o modo de encarar e enxergar a vida muda de olho pra olho. A verdade é tão relativa afinal de contas...

Último semestre da faculdade e tudo que eu queria era não ter que estar ali. Tudo que eu queria era não precisar estudar e não precisar ter que terminar aquela chatérrima monografia.
Depois de dois longos meses longe daquela cidade que não era minha, segui automaticamente fazendo malas e sabendo que eu só voltaria ver meus pais depois de pelo menos uns 30 dias. Eu estava mudando de casa, de novo. Era quarta ou quinta casa desde que eu decidi que precisava estudar em outro estado.
E agora, parece que faz tanto tempo que eu fiz malas para voltar para essa última parte da vida.

Defendi a monografia no mesmo dia em que recebi a proposta de emprego da minha vida. Senti um misto de felicidade extrema e de medo e de saudades e de apreensão, tudo ao mesmo tempo. E agora, estou colocando tudo no porta-malas do carro e partindo para mais uma fase da minha vida. Agora na cidade grande, na capital do país, tão perto e tão longe de tudo que já vivi. E eu queria levar todas aquelas pessoas que me assistiam enquanto eu arrumava tudo, eu queria coloca-las no porta-malas, nos bancos do carro, no bagageiro, eu queria leva-las comigo.

O que aconteceu foi que toda aquela vizinhança nova, era realmente nova. Eles me lembraram de como era mágico aquele lugar chamado Universidade. Eles me lembraram que o estudo era o de menos naquele momento. E agora eu tenho certeza que só e somente eles me sustentaram em pé nesse último momento que estava tão longo e tão pesado.

A Universidade é mesmo um lugar de formação, seja ela pessoal, profissional. É um lugar que você vive os mais loucos, os mais incríveis, os mais tristes, os mais felizes. A Universidade é sempre mais. E você só entende o que isso significa quando participa dessa fase, quando muda de casa e enfrenta a vida nova. Quando constrói e desconstrói tudo que você acredita na vida pelo menos três vezes. Quando você ama e desama a mesma pessoa cinco vezes no mesmo dia. É a época que você menos dorme na vida, mas a que mais dorme também. É a época que menos estuda, mas a que mais estuda também.

E os amigos, eles estão tão perto e participam tanto de sua vida. Você faz amizades que são tão diferentes de você. Você desfaz amizades que achava que duraria para sempre. E talvez, você fique por anos e anos sem encontra-los depois que for embora. Ou eles serão os seus melhores amigos para sempre e verão seu casamento e seus filhos crescerem. Eu ainda não sei o que são dos amigos quando a gente termina a faculdade... Isso deve ser assunto para daqui alguns anos.

Nas últimas semanas de aula eu dormi pouco, estudei muito, e fui a mais festas ainda. Sorri e sorri mesmo estando tão desesperada em ir embora. Sorri com tanta vontade de chorar, sorri porque precisava fazer com que todas as pessoas por perto se lembrassem de que eu fui feliz ali. Porque todo mundo ainda ia ficar por mais tanto tempo ali. Mais uma vez por um caminho desconhecido.


terça-feira, 24 de julho de 2012

quinze, o último

Já estou no Rio desde o dia 11/07 mas estava evitando finalmente terminar esse diário de bordo. Talvez porque enquanto eu não fizesse isso em minha cabeça a mobilidade não acabaria, sei lá. Parece difícil imaginar a realidade ruralina outra vez. Mesmo já tendo ido a Seropédica, mesmo já tendo me estressado com meus amigos, mesmo já estar estudando comunicação de novo. Mesmo já tendo deixado a UFSC pra trás.
O balanço que preciso fazer desses quatro meses que passei longe de casa é o post que li no blog de uns amigos da UFSC.

"(...)E é nessas horas que você se dá conta de como é insignificante comparado ao tamanho do mundo. Ou que o mundo é pequeno demais para caber todos os seus sonhos. Depende de como se olha.

Você se dá conta que pode viver perfeitamente bem no mundinho em que você está e que tudo é estável. Mas algo falta. Quando você parte para outra cidade ou país, acha rapidamente os defeitos e virtudes do local. Admira, mas sente falta do lugar da onde você era.

Quando seu ciclo de amizades se transforma, você fica feliz por conhecer novas pessoas. Vê que existem milhares de homens e mulheres diferentes por todo o mundo. Ainda assim, sente falta daquele seu amigo retardado que só falava besteira.
(...)
Deseja que seus diferentes círculos de amizade fossem reativados e que você pudesse falar com todos. É quando se dá conta que nada disso é possível e que você não consegue se adaptar a lugar algum. E nem quer ser assim tão adaptado.

Nenhum lugar é tão perfeitamente feito pra você. Mas nenhum lugar também é tão ruim. Você não tem mais uma zona de conforto e seu “status quo” é único e exclusivamente, você mesmo.

E nessas horas que você consegue perceber a dimensão e beleza de cada lugar, de cada rosto, de cada sorriso. É assim que você aproveita mais o ambiente em que trabalha ou se diverte muito em uma simples saída com os amigos para comer cachorro quente. Tudo se torna melhor, mais bonito, mais crítico e também mais difícil.

Quem sabe isso seja apenas uma desculpa para aqueles que gostam de se aventurar, viajar, conhecer o mundo. Mas você já se perguntou até quando vai durar o mundinho em que você está tão perfeitamente feliz? E o que vai fazer depois disso? O que vai ser da sua vida?(...)"


leia aqui o texto completo

Voltei a mesma pessoa, voltei uma pessoa diferente. Não sei diferente em que, nem o quanto essa diferença vai gritar. Me sinto melhor, mais feliz, me sinto mais dona do mundo e ao mesmo tempo sinto que ele é tão grande que nunca serei capaz de ser dona nem de mim mesma. Mesmo assim tenho evitado meus amigos da UFSC, tenho evitado olhar fotos e sentir saudades. Tenho preenchido meu tempo com o máximo de coisas que consigo (isso não tem sido muito difícil, tenho feito nada e tudo nesses dias). Mas sei que um dia a saudades vai chegar desesperadamente e eu vou ter que sentir. Mas sei lá, as vezes acho que ela nem dói tanto assim mais. Até que ela chegue claro.
Não quero comentar sobre minha grande experiência profissional, porque tudo que relatei nos últimos meses por aqui... Mas mesmo aprendendo tantas coisas sobre minha futura profissão eu ainda aprendi coisas sobre a vida. O que mais me chamou a atenção e que eu preciso compartilhar aqui é que a gente aprende a fazer as coisas, ninguém nasce sabendo. Claro que tem um ou outro que nasce com o dom, mas isso não me impediu de aprender e estar caminhando para ser boa. A repetição leva a perfeição. Nunca acreditei muito nessa coisa de aprender a fazer, até que provei para mim mesma que seria capaz e acho que fiz um bom trabalho no final das contas.

E só para concluir, eu não quero prolongar demais, tudo em nossas vidas deixa marcas. Tudo que vivemos, aprendemos, sentimos, absolutamente tudo nos modifica, nos influência de alguma forma. E sempre deixamos um pouco de nós e sempre levamos um pouco dos outros.

Tchau UFSC, o sonho acabou.


a história toda

segunda-feira, 9 de julho de 2012

14: a úlltima aula

4 meses e 3 dias eu entrava na mesma sala que hoje está sendo minha última aula.
a turma que me acolheu aumentou um pouquinho, tá a maioria das pessoas dentro da sala.
estamos ouvindo o trabalho final de radiojornalismo I, ah como deu trabalho, mas parece que tá todo mundo satisfeito com o resultado final. bons trabalhos, bons sorrisos, boas lembranças... e quantas lembranças.
me sinto um pouco melancólica de ter que dar tchau, de ter que lagar tudo isso, de ter que acordar desse sonho.
hora pesadelo, hora sonho hora felicidade, hora tristeza.
cheguei uma universitária e vou embora, bom ainda sou uma universitária... mas aprendi mais, cresci mais, entendi mais, e continua com várias dúvidas. fiz alguns programas, comprei roupas novas, aprendi a editar algumas coisas, estou falando com um sotaque diferente, escrevi pouco e li muito, fiz amigos desses que a gente vai levar pra sempre. ou talvez daqueles que a gente vai guardar pra sempre. e vai ficar apenas na lembrança.
continuo sem saber sobre meu destino, continuo sem saber minha vocação. acho que tenho aceitado que posso fazer o que precisaram que eu faça.
hoje estou com minha baby-look do jornalismo da Rural, vesti ela para me lembrar que pertenço a esse lugar e quando cheguei na UFSC vesti o agasalho do Jornalismo UFSC, tal vez para que eu me lembra que estou levando um pouco desse lugar comigo, e espero estar deixando um pouco de mim aqui.
tudo que estou tentando fazer é escrever dentro da sala tudo o que aprendi/senti nesse tempo estudando em um lugar que não é meu.
e talvez tudo que estou conseguindo concluir é que qualquer lugar pode ser meu. Principalmente quando se encontra no caminho pessoas que realmente querem que você passe a participar da vida dela.
acho que sou uma pessoa de sorte, encontrei boas pessoas, fiz bons amigos, aprendi boas e muitas coisas.

Parece cômico eu terminar e começar o semestre no mesmo lugar, parece cômico eu começar e terminar o semestre com a mesma turma, aquela mesma que eu fiz os melhores amigos, aquela mesma que eu vivi os momentos mais tensos e aqueles que vou guardar para sempre. Talvez seja só predestinação. Talvez seja só destino.
Chegou a hora de ir embora, chegou a hora de deixar tudo isso para trás e voltar para o lugar que me ensinou a ser alguém, e voltar para as pessoas que me ajudaram quando eu mais precisei. chegou a hora de conviver diariamente com a saudade, chegou a hora de... ir. enfim o fim. 
só não achei que chegaria a hora tão rápido. 

vou tentar escrever antes de subir no avião, mas ainda assim, as emoções já se misturam, a despedida já se aproxima, mais um capítulo da minha história está chegando ao fim. 
esperei tanto pelas férias, e quando elas chegam eu penso que talvez poderia durar mais um pouquinho...

Obrigada UFSC, Obrigada Jor, Obrigada 11.2, Obrigada meninas do SAFC, Obrigada a todos aqueles que estiveram comigo, que me ajudaram, que confiaram em mim. 
é só agradecer o que eu preciso. 
obrigada, obrigada, obrigada. 

a história toda

domingo, 17 de junho de 2012

capítulo treze

senti uma vontade dilacerante de parar tudo que estou fazendo, tudo que preciso fazer para escrever.
não sei bem o que, nem porque.
a única coisa que tenho certa até agora é que daqui a exatos 33 dias eu estarei no Rio de Janeiro as 19:50h (agora).
e mesmo eu ainda tendo tanta coisa para fazer nesses 33 dias, tudo parece que está correndo por minhas mãos e eu não consigo fazer com que isso se eternize de alguma forma. talvez por isso a vontade de escrever.
as coisas em Florianópolis andam cada vez melhor e isso me chateia. as pessoas andam cada vez mais legais e isso me entristece. seria muito mais fácil se tudo tivesse difícil, se todas as pessoas continuassem em seu particular mundo. sem se envolver demais, sem possíveis saudades futuras.
mas nunca disseram que seria fácil e a cada dia que entro pelo corredor de pisos branquinhos do JOR UFSC eu me sinto pertencendo ainda mais àquele lugar. Cada domingo em casa vendo um filme ou fazendo qualquer besteira para comer eu me sinto cada vez mais pertencendo a esse lugar. Cada chuva que chega e me faz estender as roupas no varal de dentro eu me sinto cada vez mais aceitando que minha roupas vão demorar a semana toda para secar e que Florianópolis é assim mesmo. Cada meio de mês que chega e eu vejo que não tenho mais dinheiro eu me sinto cada vez mais na realidade de uma cidade rica, com pessoas ricas (ou não).
e cada mudança é um novo aprendizado, e cada mudança é uma nova saudade. acho que aprendi a julgar menos pela aparência. quando cheguei na UFSC achei que nunca fosse me acostumar a realidade do Jornalismo daqui. Achei que nunca fosse gostar dessas pessoas estranhas que aparentemente não gostavam de mim. mas daí veio uma turma de Calouros B e me fez de alguma forma me sentir inserida. JOR 2011.2. um monte de gente perdida, sem saber direito o que fazer nem porque está ali, talvez por isso tenha dado certo comigo né... Mais ou menos como a minha indecisão constante e eterna.
não sei nem quando, nem como aconteceu, mas sei que eu passei a me considerar eles, e eles meio que me adotaram. e me inseriram no resto do JOR. e claro que há algumas pessoinhas fofas que levarei para sempre e que não é 2011.2, mas talvez eu só tenha tido contato com elas porque eles me ensinaram de alguma forma a sobreviver no JOR UFSC.
preciso comentar que calei minha boca com muita gente que achava insuportável, e talvez esse tenha sido meu maior aprendizado de intercambista. conhecer antes de pré-julgar ou de não curtir porque não fui com a cara, ou porque disse alguma coisa que eu não concordei. a maioria dessas pessoas que eu pré-julguei me impressionaram e me fizeram morder a língua milhares de vezes. cada um tem seu jeito, sua criação, seus costumes, cada um está evoluindo e aprendendo tanto quanto eu todos os dias.
enfim, não estou encerrando meu diário e bordo, até porque muita coisa pode rolar em um mês. só preciso agradecer publicamente a 2011.2 por terem me adotado, por terem me suportado, por terem me ensinado, por terem simplesmente me aceitado. cara, sério, vocês são demais! e eu já estou morta de saudades.

enfim Florianópolis, enfim a UFSC. enfim o (quase) fim


veja a hirstória toda dessa intercambista maluca