Mais uma vez sozinha no apartamento de uma grande cidade que não sabe que eu existo. O mundo me falou que não era você. O meu sexto sentido, a minha melhor amiga e até a minha mãe que é tão desligada soube que não era. Mas você era lindo demais, sabia tocar violão e compunha músicas. O típico artista que não gosta de nada além de você mesmo. Eu não te culpo sabe? Você sempre me disse que não sabia se apaixonar. E eu também não sabia, então fiquei tranquila. Você sempre me disse que queria conquistar o mundo. Só que eu nunca acreditei né, você odiava passar o fim de semana comigo na cidade grande. Acho que entendi que o problema era a cidade grande, quando na verdade o problema era eu. Porque tudo bem eu passar o fim de semana com você no interior, no seu porto seguro, no seu habitat natural né? Será que era tudo bem ou foi só mais um de seus jogos que eu nunca entendi as regras?
Eu cansei de brincar de jogos que não se parecem com jogos. Vamos só jogar poker? Pelo menos eu sei que você vai estar blefando! Porque agora eu tô sozinha de novo tá vendo? Eu deixei passar aquele garoto lindo só porque ele não tocava violão, foi isso que te contei na época lembra? Na verdade eu o mandei parar de gostar de mim porque foi naquele fim de semana que você me chamou para ir para Ilha Bela. Lembra que fim de semana incrível? Como eu poderia ficar com outra pessoa depois disso? Foi nesse fim de semana que eu descobri que você era uma droga, que eu estava viciada e não queria tratamento.
Mas eu tô sozinha, você terminou a faculdade e foi morar naquela fazenda que cria algum tipo de animal sob umas perceptiva nova de não exploração que não faz o mínimo de sentido pra mim. Você foi embora ontem e falou que me ligava quando o fim de semana fosse tranquilo, quando a casa tivesse limpa. Pra gente poder passar o fim de semana na fazenda. Eu odeio fazenda sabia? Já te falei o quanto a cidade grande me faz respirar e viver bem? E a fazenda fica a 4 horas daqui!
Me faz um favor agora? Liga pro menino que não sabe tocar violão, fala pra ele que você tem ferrado minha vida e que agora vai fazer alguma coisa boa. Fala pra ele que precisa que ele volte e me faça gostar dele. Faz outra coisa? Não parece mais não, fala olhando nos meus olhos que a gente nunca vai ter nada e que tá indo embora pra Groenlândia pra sempre. E que não vai voltar pra me buscar. Diz que todas as suas promessas não vão ser cumpridas.
Eu não quero mais acordar sozinha. Eu não quero mais estar numa cidade que ninguém sabe que eu existo. Eu não quero mais ser uma drogada e muito menos jogar seus jogos.
Só não esquece de me ligar quando chegar na fazenda ok?
"O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal.” LISPECTOR, Clarice
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segunda-feira, 13 de abril de 2015
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Capítulo 2: Tchau Rio de Janeiro
Embarco na quinta-feiras as 09:50 da manhã, no aeroporto com a vista mais linda do Rio de Janeiro. Uma ótima forma de dizer tchau, certamente.
Minhas malas estão estourando 23kg fácil e se alguém tiver um solução para isso estou aceitando. Meu quarto está constantemente bagunçado. Tanto pelas malas pelo chão, quanto pelo fato de eu não parado desde que cheguei de Campinas no Carnaval.
Minha cabeça está a mil e vazia ao mesmo tempo. Penso em coisas do passado, penso em possíveis coisas que vão acontecer. Penso que tenho que despachar 23kg de bagagem e penso que 4 meses é pouco tempo. Penso que só faltam 3 dias, penso que ainda falta muito. Não tenho ainda conclusões sobre nada, tampouco consigo expressar o que estou sentindo. Nada de frio no estomago, nada de roer unhas, nada de apreensão. Só um tempo que nunca passa e uma cabeça que nunca pensa.
Estou pesquisando um pouco sobre a cidade, os costumes locais, as curiosidades, para que o tempo passe. Para que eu me sinta fazendo algo útil. Vou reproduzir algumas coisas...
Com aproximadamente 407 mil habitantes, Florianópolis é um local único. É difícil escolher a praia mais bonita, a lagoa mais romântica, o lugar mais charmoso. Floripa, como é carinhosamente chamada, encanta de tal forma os visitantes que muitos deles não voltam para casa e acabam escolhendo esse paraíso com mais de 100 diferentes praias para viver.
Sempre fico me perguntando, quando leio esse tipo de coisas clichê, o quanto irei me apaixonar por esse lugar, o quanto vou odiá-lo, o quanto vou querer ficar lá para sempre.
Acompanhar de perto a pesca da tainha nos meses de maio e junho é uma forma bastante interessante de saber mais sobre a cultura local com os pescadores que sempre têm “causos” para contar.
Fonte
Florianópolis possui um dos mais ricos acervos rupestres do mundo, com uma numerosa quantidade de pedras com gravações milenares. Para levar conhecimento da expressão artística e cultural dos povos antigos à comunidade da Grande Florianópolis e aos turistas o Instituto Multidisciplinar de Meio Ambiente e Arqueoastronomia (IMMA), com incentivo do Fundo Estadual de Turismo, está promovendo exposições itinerantes de Arte Rupestre e Arqueoastronomia em Santa Catarina. A tenda itinerante de 12 x12 metros, foi montada pela primeira vez na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Será que eu finalmente realizarei o meu sonho de ver um acervo rupestre? De tomar um contato com os povos antigos de alguma forma? *o*
A Ilha de Santa Catarina é rica em lendas e personagens de diferentes períodos históricos. Entre eles estão os tupi-guaranis, etnia do Litoral Sul do país a que os exploradores europeus se referiam como carijós. Daí veio o nome de batismo da Estação Ecológica Carijós, localizada a noroeste da Ilha, onde está a capital Florianópolis. A ESEC Carijós é uma das 13 Unidades de Conservação Federais criadas no Estado.
Destaca-se por ser a capital brasileira com o melhor índice de desenvolvimento humano (IDH), da ordem de 0,875, segundo relatório divulgado pela ONU em 2000.
A ilha de Santa Catarina possui uma forma alongada e estreita, com comprimento médio de 54 km e largura media de 18 km. Com litoral bastante recortado, possui várias enseadas, pontas, ilhas, baías e lagoas. A ilha está situada de forma paralela ao continente, separadas por um estreito canal.
O que torna toda a geografia POUCO bonita...
A média das máximas do mês mais quente varia de 26 ℃ a 31 ℃ e a média das mínimas do mês mais frio, de 7,5 ℃ a 12 ℃. A temperatura média anual está em torno de 21 ℃. A temperatura mais baixa registrada na cidade foi de -2 ℃ em 1975 e a máxima foi de 39 ℃. Geadas não são frequentes, mas ocorrem esporadicamente no inverno. Devido à proximidade do mar, a umidade relativa do ar é de 80% em média.
Sim, estou fugindo feliz do calor insuportável de 40° que tem feito constantemente no Rio de Janeiro. E passarei um inverno frio e feliz. (por isso minhas malas estão cheias e pesadas).
Vai te roçar nas ostras, ô!
Manézinho quando não gosta do que ouve.
Veja outros capítulos:
Inicio
Capítulo 1
Minhas malas estão estourando 23kg fácil e se alguém tiver um solução para isso estou aceitando. Meu quarto está constantemente bagunçado. Tanto pelas malas pelo chão, quanto pelo fato de eu não parado desde que cheguei de Campinas no Carnaval.
Minha cabeça está a mil e vazia ao mesmo tempo. Penso em coisas do passado, penso em possíveis coisas que vão acontecer. Penso que tenho que despachar 23kg de bagagem e penso que 4 meses é pouco tempo. Penso que só faltam 3 dias, penso que ainda falta muito. Não tenho ainda conclusões sobre nada, tampouco consigo expressar o que estou sentindo. Nada de frio no estomago, nada de roer unhas, nada de apreensão. Só um tempo que nunca passa e uma cabeça que nunca pensa.
Estou pesquisando um pouco sobre a cidade, os costumes locais, as curiosidades, para que o tempo passe. Para que eu me sinta fazendo algo útil. Vou reproduzir algumas coisas...
Com aproximadamente 407 mil habitantes, Florianópolis é um local único. É difícil escolher a praia mais bonita, a lagoa mais romântica, o lugar mais charmoso. Floripa, como é carinhosamente chamada, encanta de tal forma os visitantes que muitos deles não voltam para casa e acabam escolhendo esse paraíso com mais de 100 diferentes praias para viver.Sempre fico me perguntando, quando leio esse tipo de coisas clichê, o quanto irei me apaixonar por esse lugar, o quanto vou odiá-lo, o quanto vou querer ficar lá para sempre.
Acompanhar de perto a pesca da tainha nos meses de maio e junho é uma forma bastante interessante de saber mais sobre a cultura local com os pescadores que sempre têm “causos” para contar.
Fonte
Florianópolis possui um dos mais ricos acervos rupestres do mundo, com uma numerosa quantidade de pedras com gravações milenares. Para levar conhecimento da expressão artística e cultural dos povos antigos à comunidade da Grande Florianópolis e aos turistas o Instituto Multidisciplinar de Meio Ambiente e Arqueoastronomia (IMMA), com incentivo do Fundo Estadual de Turismo, está promovendo exposições itinerantes de Arte Rupestre e Arqueoastronomia em Santa Catarina. A tenda itinerante de 12 x12 metros, foi montada pela primeira vez na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Será que eu finalmente realizarei o meu sonho de ver um acervo rupestre? De tomar um contato com os povos antigos de alguma forma? *o*
A Ilha de Santa Catarina é rica em lendas e personagens de diferentes períodos históricos. Entre eles estão os tupi-guaranis, etnia do Litoral Sul do país a que os exploradores europeus se referiam como carijós. Daí veio o nome de batismo da Estação Ecológica Carijós, localizada a noroeste da Ilha, onde está a capital Florianópolis. A ESEC Carijós é uma das 13 Unidades de Conservação Federais criadas no Estado.
(...) os fortes e fortalezas, entre eles o Forte de Santana, de onde é possível ver o pôr do sol com vista para a Ponte Hercílio Luz, e a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, no Norte da Ilha, entre as praias de Jurerê Internacional e do Forte.
FonteDestaca-se por ser a capital brasileira com o melhor índice de desenvolvimento humano (IDH), da ordem de 0,875, segundo relatório divulgado pela ONU em 2000.
A ilha de Santa Catarina possui uma forma alongada e estreita, com comprimento médio de 54 km e largura media de 18 km. Com litoral bastante recortado, possui várias enseadas, pontas, ilhas, baías e lagoas. A ilha está situada de forma paralela ao continente, separadas por um estreito canal.
O que torna toda a geografia POUCO bonita...
A média das máximas do mês mais quente varia de 26 ℃ a 31 ℃ e a média das mínimas do mês mais frio, de 7,5 ℃ a 12 ℃. A temperatura média anual está em torno de 21 ℃. A temperatura mais baixa registrada na cidade foi de -2 ℃ em 1975 e a máxima foi de 39 ℃. Geadas não são frequentes, mas ocorrem esporadicamente no inverno. Devido à proximidade do mar, a umidade relativa do ar é de 80% em média.
Sim, estou fugindo feliz do calor insuportável de 40° que tem feito constantemente no Rio de Janeiro. E passarei um inverno frio e feliz. (por isso minhas malas estão cheias e pesadas).
O voo livre de Parapente pode ser praticado em diversas rampas de Florianópolis. Pode-se fazer um voo duplo com instrutor habilitado. As rampas mais conhecidas são da Praia Brava, Santinho, Rio Vermelho, Mole e Lagoa da Conceição.
Me persegue, me interessa, me gosta, me falta.
No desciclopedia...
Já sei que manézinho é o cara que mora na parte da Ilha de Florianópolis, ou algo desse tipo...
Florianópolis possui duas línguas oficiais, o "manezês" e o portunhol sendo amba línguas sazonais. No inverno prevalece a língua nativa: o "manezês" que consiste em um português pronunciado em alta velocidade "bem rapidin" (o idioma da ilha) onde o "s" é pronunciado com som de "x" (xichs), já no verão com a vinda dos nossos hermanos porcos gringos todos os nativos mudam para o portunhol afim de agradar o turistar e afanar um pouco de bufunfa.
Será que vou pegar menezês? Considerando que estarei lá no inverno? #medo
A população de Florianópolis é única no mundo. Dependendo exclusivamente do setor de serviços em especial das divisas que os turistas trazem, em Floripa o turista é extremamente mal-tratado. Além disso, tudo fecha nos feriados (TUDO) inclusive as baladas fecham todas cedo. Se você sentir fome, a opção é comer um pastel no supermercado do Chico.
Agora, acompanhem meu raciocínio por favor... Eu, sozinha em um lugar que não conheço ninguém... Como será possível sobreviver ao feriado com TUDO fechado?!?
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Capítulo 1
sábado, 18 de junho de 2011
A magia da grande cidade
Dia desses estava eu em um ponto de ônibus esperando por um amigo. A noite começava a chegar e a chuva insistia em cair. Sozinha e sem muito o que fazer passei a reparar nas luzes da cidade. A noite sempre me fascinou, as luzes, as estrelas. O escuro te impede de ter uma visão ampla e segura, por isso passa a ser tão interessante, te induz a buscar, a descobrir, a se adentrar, a investigar e se entregar totalmente. O escuro é imprevisível. No escuro você enxerga o que não existe, ou não enxerga o que existe, de acordo com o que seus olhos são capazes de ver.Mas nem só de escuridão se vive, porque quando a noite cai, o sol desaparece, as luzes da rua ligam automáticas. Ninguém precisa ir lá e pedir para acende-las, elas sabem que precisam estar ligadas para que você consiga ter a visão necessária. Mesmo que embasada, mesmo que dificultosa.
Por isso a cidade grande a noite se torna tão bonita. Ela consegue manter a escuridão e fazer com que as luzes te guiem por onde é necessário ser guiado. Já por volta das 20h, quando as pessoas já chegaram em casa depois de um expediente de trabalho, as ruas ficam tranquilas e os carros passam pelo sinal verde da a minha frente borrando as luzes. Eu não vejo dentro do carro, eu não vejo a cor do carro. Mas eu sei que ali tem um carro. Porque mesmo com escuro as luzes me possibilitam ver a sombra que o reflete.
Enquanto a chuva insiste em cair, acaba se configurando na paisagem. Na noite da grande metrópole a chuva faz toda a diferença. Em um ambiente melancólico, frio, triste, a chuva se insere e se coloca como trilha sonora de uma vida. O som do carro passando e borrando a luz é diferente quando há chuva.
No céu só é possível ver as estrelas mais boitas, as que mais brilham. Eu vejo estrelas meio que como pessoas, que olham por mim, que se lembram de mim. E as que resistem a poluição e luzes das grandes cidades são as que mais merecem apoio, elas se esforçaram para que continuassem brilhando dentro de algum coração. Entendam, eu não estou dizendo que o céu de estrelas é mais bonito na grande metrópole do que no interior, em hipótese nenhuma! Eu adoro o céu de Seropédica! Só acho que as grandes estrelas são as que aparecem na cidade, são as que se esforçaram muito para estar ali.
E o tempo passa... E a cidade não pára! Nunca!Foto 2: Campinas, SP
Foto 1: Centro do Rio de Janeiro
ps. o post da semana era para ter sido um poema feito em uma quinta-feira ociosa por três amigas revoltadas e entediadas. Por ética eu preferi falar o que já era programado. Mas eu preciso comentar... O tema do poema era: "O sonho da casa limpa". (rsrsrsrsr) Desculpe-me, apenas as minhas duas amigas entenderão isso.
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