Mais uma vez sozinha no apartamento de uma grande cidade que não sabe que eu existo. O mundo me falou que não era você. O meu sexto sentido, a minha melhor amiga e até a minha mãe que é tão desligada soube que não era. Mas você era lindo demais, sabia tocar violão e compunha músicas. O típico artista que não gosta de nada além de você mesmo. Eu não te culpo sabe? Você sempre me disse que não sabia se apaixonar. E eu também não sabia, então fiquei tranquila. Você sempre me disse que queria conquistar o mundo. Só que eu nunca acreditei né, você odiava passar o fim de semana comigo na cidade grande. Acho que entendi que o problema era a cidade grande, quando na verdade o problema era eu. Porque tudo bem eu passar o fim de semana com você no interior, no seu porto seguro, no seu habitat natural né? Será que era tudo bem ou foi só mais um de seus jogos que eu nunca entendi as regras?
Eu cansei de brincar de jogos que não se parecem com jogos. Vamos só jogar poker? Pelo menos eu sei que você vai estar blefando! Porque agora eu tô sozinha de novo tá vendo? Eu deixei passar aquele garoto lindo só porque ele não tocava violão, foi isso que te contei na época lembra? Na verdade eu o mandei parar de gostar de mim porque foi naquele fim de semana que você me chamou para ir para Ilha Bela. Lembra que fim de semana incrível? Como eu poderia ficar com outra pessoa depois disso? Foi nesse fim de semana que eu descobri que você era uma droga, que eu estava viciada e não queria tratamento.
Mas eu tô sozinha, você terminou a faculdade e foi morar naquela fazenda que cria algum tipo de animal sob umas perceptiva nova de não exploração que não faz o mínimo de sentido pra mim. Você foi embora ontem e falou que me ligava quando o fim de semana fosse tranquilo, quando a casa tivesse limpa. Pra gente poder passar o fim de semana na fazenda. Eu odeio fazenda sabia? Já te falei o quanto a cidade grande me faz respirar e viver bem? E a fazenda fica a 4 horas daqui!
Me faz um favor agora? Liga pro menino que não sabe tocar violão, fala pra ele que você tem ferrado minha vida e que agora vai fazer alguma coisa boa. Fala pra ele que precisa que ele volte e me faça gostar dele. Faz outra coisa? Não parece mais não, fala olhando nos meus olhos que a gente nunca vai ter nada e que tá indo embora pra Groenlândia pra sempre. E que não vai voltar pra me buscar. Diz que todas as suas promessas não vão ser cumpridas.
Eu não quero mais acordar sozinha. Eu não quero mais estar numa cidade que ninguém sabe que eu existo. Eu não quero mais ser uma drogada e muito menos jogar seus jogos.
Só não esquece de me ligar quando chegar na fazenda ok?
"O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal.” LISPECTOR, Clarice
segunda-feira, 13 de abril de 2015
quarta-feira, 18 de março de 2015
quando eu me apaixonei
cinco anos, um mês e doze dias. Mais do que meia década.
Eu já expus sentimentos sobre as crises pós mudança algumas muitas vezes e outras tantas falei da cidade que tenho vivido.
Todo esse tempo a primeira pergunta das pessoas quando me viam ou percebiam o meu "R" puxado era "Você tá gostando do Rio de Janeiro?" E a minha resposta era sempre: "Eu estou me habituando". E o tempo passou. Doce tempo.
Vez dessas que me fizeram a habitual pergunta eu percebi que há tempos eu não refletia mesmo sobre a minha resposta.
Eu sempre gostei do Rio de Janeiro, eu sempre quis mudar para cá e senti que esse era o lugar que eu precisava estar. Só que a vida aqui foi muito diferente do que os sonhos me mostrava. A adaptação foi um inferno. As pessoas foram muito diferentes do que eu esperava que elas fossem.
Mas depois toda a tempestade em alto mar passou e fez com que meu barquinho chegasse em um lugar seguro, iluminado, cheio de luz e muita alegria. E agora eu preciso dizer que estou pronta para viver o Rio de Janeiro. Um belo dia eu acordei e percebi que a cidade maravilhosa ficou realmente maravilhosa. Assim, de verdade como todo mundo descreve.
Eu sou capaz de sorrir todos os dias, porque eu escolhi o Rio de Janeiro para ser o meu lar. Home. Assim mesmo, no sentido fraternal da palavra. Eu sou feliz todos os dias porque apensar de todos os problemas da cidade, de toda a cultura carioca que me irrita, de todo o transito maluco, eu consigo entender que o lado bom recompensa. Eu consigo sorrir por Santa Tereza, pelo show no fim de semana, ou pela Lapa no sábado a noite. Eu consigo sorrir pela quantidade de pessoas que conheci e que me fizeram alguém melhor, pelos amigos de verdade que me ajudam, que escutam minhas crises e que entendem minhas loucuras. Eu consigo sorrir pelo fato de saber realmente quem são as pessoas que se importam e que importam mas que estão longe. E consigo sorrir muito quando elas vem passar as férias na minha casa. Porque ser feliz é morar no lugar onde o mundo passa as férias. Eu consigo ser feliz porque, apesar do calor, eu tenho a praia, apesar do sol eu tenho a maresia, apesar do abafado eu tenho a chuva. Eu consigo sorrir porque sentir o clima, o vento e a vibe do Rio de Janeiro todos os dias é o sonho de muita gente no mundo, mas principalmente é o meu sonho sendo realizado.
Agora não tem mais jeito, eu sou uma paulista cariocando. Eu sou uma paulista que vai ao shopping de havaianas e que usa bermuda com casaco no inverno. Agora não tem mais jeito eu sou moradora da Cidade Maravilhosa e gosto dela. Agora não tem mais jeito, eu estou perdida e completamente apaixonada pelo Rio de Janeiro.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
freedom
li.ber.da.de
1 Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral. 2 Poder de exercer livremente a sua vontade. 3 Condição de não ser sujeito, como indivíduo ou comunidade, a controle ou arbitrariedades políticas estrangeiras. 4 Condição do ser que não vive em cativeiro. 5 Condição de pessoa não sujeita a escravidão ou servidão. 6 Isenção de todas as restrições, exceto as prescritas pelos direitos legais de outrem. 7 Independência, autonomia. 8 Ousadia. 9 Permissão. 10 Imunidade. 1 Regalias, franquias, imunidades, privilégios concedidos aos cidadãos pela constituição do país ou de que goza um país, uma divisão dele, uma instituição etc. 2 Maneira de proceder não sancionada pelas convenções sociais ou pelo decoro. 3 Familiaridade importuna; atrevimento, confiança: Tomar liberdades com alguém.
Quando eu terminei o namoro de um milhão de pensei que estava livre. Prometi para mim mesmo que não ia mais me apagar a nenhuma mulher por tempo suficiente para que eu pudesse curtir tudo que havia perdido. Eu me tornei o famoso "solteiro de carteirinha". Todas as possibilidades, todas as meninas incríveis que passaram pela minha vida, todos os amores de verão inesquecíveis que eu poderia ter vivido. Eu abri mão por um discurso de liberdade. Eu era livre de um relacionamento e acabei me prendendo a um não relacionamento.
Eu sempre tive medo de viajar, sair da minha zona de conforto, abrir mão de minhas raízes. E então eu passei para a faculdade e tive que morar a mil quilometro de todas as pessoas que eu mais amava na vida. Quando eu descobri o quão lindo é o mundo eu prometi para mim mesma que seria dele. Que as raízes não me prenderiam, que eu teria amigos em todos os lugares. Eu fiquei livre para o mundo e me prendi nas não raízes.
Eu nunca tive uma religião. Eu nunca achei que precisaria me prender a uma crença, a um ser maior, a um estilo de vida. Estar disposto a ver e conhecer qualquer coisa. Sem precisar me prender a um estilo de vida ou a uma doutrina. Eu fiquei livre para as tradições e me prendi ao não.
De que forma ser livre? Não se prender? Não ter raízes? Não acreditar? Será que o fato de ter um estilo de vida freedom é sempre ser "isenta de restrição externa ou coação física ou moral" é mesmo ser livre? O não é a liberdade?
1 Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral. 2 Poder de exercer livremente a sua vontade. 3 Condição de não ser sujeito, como indivíduo ou comunidade, a controle ou arbitrariedades políticas estrangeiras. 4 Condição do ser que não vive em cativeiro. 5 Condição de pessoa não sujeita a escravidão ou servidão. 6 Isenção de todas as restrições, exceto as prescritas pelos direitos legais de outrem. 7 Independência, autonomia. 8 Ousadia. 9 Permissão. 10 Imunidade. 1 Regalias, franquias, imunidades, privilégios concedidos aos cidadãos pela constituição do país ou de que goza um país, uma divisão dele, uma instituição etc. 2 Maneira de proceder não sancionada pelas convenções sociais ou pelo decoro. 3 Familiaridade importuna; atrevimento, confiança: Tomar liberdades com alguém.
Quando eu terminei o namoro de um milhão de pensei que estava livre. Prometi para mim mesmo que não ia mais me apagar a nenhuma mulher por tempo suficiente para que eu pudesse curtir tudo que havia perdido. Eu me tornei o famoso "solteiro de carteirinha". Todas as possibilidades, todas as meninas incríveis que passaram pela minha vida, todos os amores de verão inesquecíveis que eu poderia ter vivido. Eu abri mão por um discurso de liberdade. Eu era livre de um relacionamento e acabei me prendendo a um não relacionamento.
Eu sempre tive medo de viajar, sair da minha zona de conforto, abrir mão de minhas raízes. E então eu passei para a faculdade e tive que morar a mil quilometro de todas as pessoas que eu mais amava na vida. Quando eu descobri o quão lindo é o mundo eu prometi para mim mesma que seria dele. Que as raízes não me prenderiam, que eu teria amigos em todos os lugares. Eu fiquei livre para o mundo e me prendi nas não raízes.
Eu nunca tive uma religião. Eu nunca achei que precisaria me prender a uma crença, a um ser maior, a um estilo de vida. Estar disposto a ver e conhecer qualquer coisa. Sem precisar me prender a um estilo de vida ou a uma doutrina. Eu fiquei livre para as tradições e me prendi ao não.
De que forma ser livre? Não se prender? Não ter raízes? Não acreditar? Será que o fato de ter um estilo de vida freedom é sempre ser "isenta de restrição externa ou coação física ou moral" é mesmo ser livre? O não é a liberdade?
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
o quebra-cabeça
E foi aí que tudo deu errado. Porque ela queria a praia e ele queria o museu. Ela queria a estrada e ele queria a família. Ela queria o silêncio e ele queria a briga, a gritaria, a resposta. Ela não tinha nem a pergunta. Eles não conseguiam mais conversar, porque estar longe dos amigos fazia dele uma pessoa estressada. Estar longe da praia fazia dela uma pessoa triste. Ele sentia que perder aquela menina seria perder tudo que ele tinha conquistado na vida com seu próprio mérito. Ela sabia que perder aquele menino era perder todo o mundo que passou a brilhar para ela. Mas ela não conseguia conversar com ele e ele não conseguia conversar com ela. E o fato dele usar camiseta regata que ela conseguia relevar antes agora estava insuportável. E o fato dela odiar milho também o deixava tão triste. Mas ele precisava fazer seu tão sonhado curso de Belas Artes na capital. Mas ela precisava surfar e a praia mais próxima era há quase 10 horas dali. Começaram os gritos e a menina enfrentou seu medo de um mundo cinza e resolveu voltar para o litoral. Ela não conseguia mais lidar com o barulho.
Ele ficou na capital, chorou, chorou, chorou, chorou, chorou. Chegou o inverno e a capital ficou escura, trite. E ninguém entendeu porque e como o casal feito um para o outro acabou. Ela foi viver de novo. Descobriu outro tom de azul nas águas do litoral. Ela só não descobriu as cores nos homens.
Só restou um monte de marcas, dois corações vazios e duas vidas em seus caminhos diferentes, distantes e com sentimentos tão parecidos. Quem dera se a capital tivesse o mar ou se o mar tivesse o museu. Quem dera a vida fosse assim, encaixável como um quebra-cabeças.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Deixar para trás, viver de novo
Vivi e sobrevivi. Estou viva, com o sangue pulsando rápido. Borbulhante.
É difícil explicar todos aqueles acontecimentos agora que já passou. Na época foi intenso demais e tudo que eu menos queria era escrever.
Porque escrever significava botar pra fora e botar pra fora significava abrir mão, deixar pra trás, expelir todo aquele sentimento de pertencimento àquele lugar. E naquele momento tudo que eu não queria era deixar de pertencer, de viver, de fazer parte.
"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo." Antoine de Saint-Exupéry
Só que eu não queria deixar um pedaço meu, nem levar um pedaço das outras pessoas, daquele lugar. Eu simplesmente não queria ir. Mesmo tendo certeza que aquele era o momento, que aquela transição era necessária. Eu tinha consciência de tudo isso, como não ter estando com aquelas pessoas, naquele lugar. O que mais aprendi no último ano foi sobre a consciência... Mas a emoção gritava tanto que andava me deixando surda, sem chão, sem voz e praticamente sem coração. Sem ar.
Pela primeira vez eu não quis escrever e isso fez toda diferença. Eu quis o sentimento só pra mim, exclusivamente dentro do meu peito. Mesmo colocar oralmente em palavras era difícil e vocês todos sabiam disso. Eu senti tudo, mesmo fingindo estar ignorando, mesmo forçando o sorriso, mesmo querendo me revoltar contra o mundo. Eu precisei sentir tudo, já que sentir é sempre tão difícil para uma pessoa totalmente racional como eu.
E só dois meses depois eu falei tchau e pude voltar para dizer oi novamente.
Sentir e guardar para sentir. Sentir e viver para sentir. Sentir e entender que algumas imagens nem mesmo a poesia das palavras consegue mostrar.
Já estou pronta pra outra, já estou pronto para outro.
Dois mil e quinze.
É difícil explicar todos aqueles acontecimentos agora que já passou. Na época foi intenso demais e tudo que eu menos queria era escrever.
Porque escrever significava botar pra fora e botar pra fora significava abrir mão, deixar pra trás, expelir todo aquele sentimento de pertencimento àquele lugar. E naquele momento tudo que eu não queria era deixar de pertencer, de viver, de fazer parte.
"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo." Antoine de Saint-Exupéry
Só que eu não queria deixar um pedaço meu, nem levar um pedaço das outras pessoas, daquele lugar. Eu simplesmente não queria ir. Mesmo tendo certeza que aquele era o momento, que aquela transição era necessária. Eu tinha consciência de tudo isso, como não ter estando com aquelas pessoas, naquele lugar. O que mais aprendi no último ano foi sobre a consciência... Mas a emoção gritava tanto que andava me deixando surda, sem chão, sem voz e praticamente sem coração. Sem ar.
Pela primeira vez eu não quis escrever e isso fez toda diferença. Eu quis o sentimento só pra mim, exclusivamente dentro do meu peito. Mesmo colocar oralmente em palavras era difícil e vocês todos sabiam disso. Eu senti tudo, mesmo fingindo estar ignorando, mesmo forçando o sorriso, mesmo querendo me revoltar contra o mundo. Eu precisei sentir tudo, já que sentir é sempre tão difícil para uma pessoa totalmente racional como eu.
E só dois meses depois eu falei tchau e pude voltar para dizer oi novamente.
Sentir e guardar para sentir. Sentir e viver para sentir. Sentir e entender que algumas imagens nem mesmo a poesia das palavras consegue mostrar.
Já estou pronta pra outra, já estou pronto para outro.
Dois mil e quinze.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
despedir-se
Eu já sabia que chegaria a hora.
Da mesma forma que chegou a hora de deixar o colégio, deixar Campinas, deixar a Travessa, deixar Florianópolis, deixar a Europa, deixar a faculdade. A vida no final das contas é uma série de eventos que a gente deixa, até que enfim a vida nos deixa.
E ainda estou confuso só que agora é diferente, estou tranquilo e tão contente.
Eu estou tentado lidar bem com tudo isso, estou tentado ser forte e ultrapassar todo esse momento difícil como um adulta responsável e madura. E por muitas vezes tudo que tenho vontade de fazer é só sumir ou chorar. Mas nada disso resolveria o problema.
Mas estou pensando a melhor forma de deixar. Estou pensando em encarar isso como na maioria das outras vezes, dizer tchau e pensar que vou voltar amanhã. Só que agora é diferente. Agora eu também sinto que não é somente dizer tchau. As pessoas que convivem comigo diariamente precisam saber o quanto tudo isso mudou minha vida. O quanto tudo isso foi essencial para minha formação profissional e pessoal.
O problema é que não tenho conseguido escrever, na verdade eu não aprendi como dar tchau, como despedir-me, como e em que contexto expor tudo que preciso. Porque embora, para mim, faça todo o sentido e seja extremamente importante, as vezes não tenho certeza do quanto eu consigo expressar essa importância.
Chegou a hora de dar tchau, mas eu não sei como fazer isso.
Da mesma forma que chegou a hora de deixar o colégio, deixar Campinas, deixar a Travessa, deixar Florianópolis, deixar a Europa, deixar a faculdade. A vida no final das contas é uma série de eventos que a gente deixa, até que enfim a vida nos deixa.
E ainda estou confuso só que agora é diferente, estou tranquilo e tão contente.
Eu estou tentado lidar bem com tudo isso, estou tentado ser forte e ultrapassar todo esse momento difícil como um adulta responsável e madura. E por muitas vezes tudo que tenho vontade de fazer é só sumir ou chorar. Mas nada disso resolveria o problema.
Mas estou pensando a melhor forma de deixar. Estou pensando em encarar isso como na maioria das outras vezes, dizer tchau e pensar que vou voltar amanhã. Só que agora é diferente. Agora eu também sinto que não é somente dizer tchau. As pessoas que convivem comigo diariamente precisam saber o quanto tudo isso mudou minha vida. O quanto tudo isso foi essencial para minha formação profissional e pessoal.
O problema é que não tenho conseguido escrever, na verdade eu não aprendi como dar tchau, como despedir-me, como e em que contexto expor tudo que preciso. Porque embora, para mim, faça todo o sentido e seja extremamente importante, as vezes não tenho certeza do quanto eu consigo expressar essa importância.
Chegou a hora de dar tchau, mas eu não sei como fazer isso.
domingo, 8 de junho de 2014
ser do mau
Foi um fim de semana de Disney. No sábado aproveitei a preguiça para ver Frozen, afinal eu precisava me preparar para entender a próxima temporada de Once Upon a Time, além de ser um filme que já estava em minha lista de recomendados principalmente por conta da trilha sonora.
No domingo fui ao cinema ver o comentado Malévola, com a sensacional Angelina Jolie.
Fiquei pensando sobre vilões e toda essa nova onda sobre ser bem ou mau que a Disney anda colocando na cabeça das crianças. Afinal de contas, ter atitudes ruins podem ser justificadas por experiências ruins e/ou mal resolvidas do passado?
Será que uma pessoa nasce do mau ou se torna do mau?
Já havia pensado sobre isso dentro do ambiente de trabalho. Porque há sempre no seu relacionamento profissional o vilão, assim como há sempre o vilão na escola e em todas as situações que vivemos. Sempre há alguém 'do mau'. Só que será que eu já não fui 'do mau' para uma outra pessoa sem nem saber?
Porque nenhum de nós é perfeito afinal. Será que eu já não despertei em alguém um sentimento que abominei quando aconteceu comigo? Dessas coisas simples que a gente faz no dia a dia mesmo, como deixar de dar atenção necessário para um amigo quando ele mais precisa e a gente está ocupado demais com nossa felicidade ou com nossos problemas que julgamos sempre serem maiores e mais sérios.
Ana, sempre considerou a irmã mais velha uma 'bruxa malvada' em Frozen. Ela sempre achou que a irmã mais velha a desprezava e se achava superior ou era mau humorada ou qualquer coisa do tipo. Assim como a gente sempre tem alguém da família que julgamos ser mais 'desnaturado' ou menos integrado, ou mais frio em relação aos problemas. Assim como a gente sempre tem uma tia ou uma irmã ou uma prima que é malvada.
Malévola jogou uma maldição horrível em uma 'praga' que considerou como vingança. e todos ao seu redor a consideram uma bruxa do mau. Quando na verdade, somente ela desenvolveu o true love pela garota. Quando somente ela foi a fada madrinha. Quantas vezes deixamos de nos aproximar de alguém porque ela é a bruxa malvada e depois descobrimos que era apenas uma circunstância que a conduzia para o mau.
Mas será mesmo que todo mau é justificado por uma ação ruim? Porque sempre consideramos que somos pessoas boas, porque sempre consideramos que as pessoas que estão ao nosso lado são perfeitas? Até que essas pessoas por perto 'deixam a máscara cair' e vemos o quão ruim elas eram. Como se nada mais fosse bom nelas. Como se ela tivesse se mantido ao seu lado somente e exclusivamente por algum interesse. Já dizia Deleuze que toda relação é constituída por interesse, seja ela qual for.
Eu concordo com a Disney, os vilões não são de todo vilões. As vezes eles também são heróis. Mas será que as ações ruins podem sempre justificar o mau? Só porque alguém feriu meu coração, tomou uma atitude errada comigo ou deixou de ser meu amigo quando eu mais precisei eu devo deixar de amar? Eu devo me vingar e através dessa vingança perceber e entender que isso não me leva a lugar nenhum? Fico confusa entre o bem e o mau. Entre o bom e o mal. Fico confusa entre as atitudes que tomamos, entre os pensamentos que temos, entre as experiências que passamos. Tudo nos molda, tudo faz de nós pessoas boas e ruins ao mesmo tempo.
Pelo menos agora a gente sabe que as pessoas não nascem ruins, ou pelo menos agora as nossas crianças vão acreditar nisso.
Sem conclusões nem julgamentos. Apenas pensamentos e questionamentos habituais.
No domingo fui ao cinema ver o comentado Malévola, com a sensacional Angelina Jolie.
Fiquei pensando sobre vilões e toda essa nova onda sobre ser bem ou mau que a Disney anda colocando na cabeça das crianças. Afinal de contas, ter atitudes ruins podem ser justificadas por experiências ruins e/ou mal resolvidas do passado?
Será que uma pessoa nasce do mau ou se torna do mau?
Já havia pensado sobre isso dentro do ambiente de trabalho. Porque há sempre no seu relacionamento profissional o vilão, assim como há sempre o vilão na escola e em todas as situações que vivemos. Sempre há alguém 'do mau'. Só que será que eu já não fui 'do mau' para uma outra pessoa sem nem saber?
Porque nenhum de nós é perfeito afinal. Será que eu já não despertei em alguém um sentimento que abominei quando aconteceu comigo? Dessas coisas simples que a gente faz no dia a dia mesmo, como deixar de dar atenção necessário para um amigo quando ele mais precisa e a gente está ocupado demais com nossa felicidade ou com nossos problemas que julgamos sempre serem maiores e mais sérios.
Ana, sempre considerou a irmã mais velha uma 'bruxa malvada' em Frozen. Ela sempre achou que a irmã mais velha a desprezava e se achava superior ou era mau humorada ou qualquer coisa do tipo. Assim como a gente sempre tem alguém da família que julgamos ser mais 'desnaturado' ou menos integrado, ou mais frio em relação aos problemas. Assim como a gente sempre tem uma tia ou uma irmã ou uma prima que é malvada.
Malévola jogou uma maldição horrível em uma 'praga' que considerou como vingança. e todos ao seu redor a consideram uma bruxa do mau. Quando na verdade, somente ela desenvolveu o true love pela garota. Quando somente ela foi a fada madrinha. Quantas vezes deixamos de nos aproximar de alguém porque ela é a bruxa malvada e depois descobrimos que era apenas uma circunstância que a conduzia para o mau.
Mas será mesmo que todo mau é justificado por uma ação ruim? Porque sempre consideramos que somos pessoas boas, porque sempre consideramos que as pessoas que estão ao nosso lado são perfeitas? Até que essas pessoas por perto 'deixam a máscara cair' e vemos o quão ruim elas eram. Como se nada mais fosse bom nelas. Como se ela tivesse se mantido ao seu lado somente e exclusivamente por algum interesse. Já dizia Deleuze que toda relação é constituída por interesse, seja ela qual for.
Eu concordo com a Disney, os vilões não são de todo vilões. As vezes eles também são heróis. Mas será que as ações ruins podem sempre justificar o mau? Só porque alguém feriu meu coração, tomou uma atitude errada comigo ou deixou de ser meu amigo quando eu mais precisei eu devo deixar de amar? Eu devo me vingar e através dessa vingança perceber e entender que isso não me leva a lugar nenhum? Fico confusa entre o bem e o mau. Entre o bom e o mal. Fico confusa entre as atitudes que tomamos, entre os pensamentos que temos, entre as experiências que passamos. Tudo nos molda, tudo faz de nós pessoas boas e ruins ao mesmo tempo.
Pelo menos agora a gente sabe que as pessoas não nascem ruins, ou pelo menos agora as nossas crianças vão acreditar nisso.
Sem conclusões nem julgamentos. Apenas pensamentos e questionamentos habituais.
terça-feira, 27 de maio de 2014
mas e os sonhos?
Quando a cabeça não dá paz é hora de colocar todos os desorganizados pensamentos em letras que juntas formam muitas palavras sem sentido. Eia que.
Quando eu estava no terceiro ano de Ensino Médio, uma professora me disse uma vez que a grama do vizinho é sempre mais verde. Na época não entendi. Mas hoje eu realmente achei que talvez a grama da faculdade dos sonhos estivesse mais verde.
Esse nunca foi meu emprego dos sonhos. Mas se tornou um sonho trabalhar aqui. E talvez o emprego dos sonhos se torne um pesadelo. A gente nunca vai saber de verdade não é mesmo?
As vezes a gente escolhe, as vezes a vida escolhe pela gente. Eu tenho deixado a vida escolher por mim há tanto tempo que me habituei com que as escolhas, me habituei com a vida encarregada delas. Acho que a última escolha que fiz foi ter mudado de sala no último ano do Ensino Médio. Todas as outras não foram de fato uma escolha, foram somente uma falta de ação que me levou a diversas consequências e aprendizados, bons ou ruins. Mas então o que é mesmo fazer uma escolha? Será que o ato de acordar todos os dias e escolher ir trabalhar de vestido ou de calça jeans não é escolher alguma coisa que pode mudar minha vida para sempre?
O que muda a vida?
Acho que nunca saberemos, se e como seriamos caso tivéssemos realizados nossos sonhos do modo que imaginamos. Ou se tivéssemos escolhido menos ou mais. Eu sei que já falei sobre o tal "SE" dessa e dessa outra vez. Mas ele continua aqui, continua aqui nos assombrando.
Hora de andar, hora de andar, hora de andar. Mas nada sai do lugar! Que droga! Continue andando e andando. Hora de fazer escolhas, daquelas que mudam sua vida para sempre. Quando você anda para frente, necessariamente deixa algo para trás. E as vezes esse algo é bom, mas esteve em sua vida tempo suficiente para me fazer alguém melhor. Eu gosto de misturar essa terceira e primeira pessoa, porque eu sou nós e nós é você.
Mas eu já sonhei tanto e já vivi tantas coisas que se tornaram sonho que hoje não sei mais como sonhar. Alguém me ensina como voltar a ter vitalidade e a crença dos 14 anos por favor? Alguém me ensina como ter a coragem de encarar o mundo aos 14 anos por favor? Por que eu encarei o meu mundo aos 14 anos e estou morrendo de medo de encarar o meu mundo aos 22. Porque o mundo dos 22 é maior? Mas eu também sou maior né?
Alguém me fala qual o botão que eu aperto para sonhar de novo? Como quando eu tinha 14 anos e queria ser dona de uma revista adolescente? Como quando eu tinha 15 anos e queria ir para o Oriente Médio cobrir a guerra do Iraque? E depois tudo ficou tão escorregadio... Será que dá para ser criança sendo adulto?
domingo, 25 de maio de 2014
"A única coisa mais inconcebível do que ir embora era ficar; a única coisa mais impossível do que ficar era ir embora. Eu não queria destruir nada nem ninguém. Só queria sair de fininho pela porta dos fundos, sem causar alvoroço nem conseqüências, e depois só parar de correr quando chegasse à Groenlândia."
Liz Gilbert
Liz Gilbert
quarta-feira, 7 de maio de 2014
qual é a vida real então?
Sou uma pessoa apegada. Me apego a uma bolsa, a um local, a um restaurante, a uma pessoa, a um sorriso. Me apego. Porque quando algo faz o nosso coração bater mais forte e transparece no sorriso não há como e nem porque não se apegar. (ok, até pode existir uma série de porquês, mas não vem ao caso).
Eu fui muito apegada a escola, a amigos e a rotina que levava. Porque eu era sinceramente feliz, simplesmente feliz. Nessa época me diziam que essa não era a realidade. Eu fiz amigos, dos quais alguns ainda estão por perto e tanto outros já se perderam no caminho. E são mais de 4 anos, mais de 500km. Mas se fosse fantasia, será que os amigos dessa época ainda estariam por perto?
Bom aí eu pensei, ok escola, hora de dar tchau. Oi vida real! E fui para a faculdade. Então eu me apeguei de novo, a amigos, a casa, a um campus lindo. Porque não há como não se apaixonar pela Rural. E me disseram de novo, essa não é a realidade da vida. Espere até você começar a trabalhar e pagar suas contas. Eu estou trabalhando e pagando contas agora. E já experimentei todas as aflições de não ter dinheiro, poder ser demitida, andar com o carro na reserva, virar a noite estudando, trabalhar até muito além da hora, não ter tempo para comer no dia. Mas agora a faculdade está acabando e eu tenho a sensação de que nada foi real. Será que os amigos vão ficar por perto como os da escola?
Então, onde fica a vida real? Será mesmo que tudo a gente vive até os vinte e poucos anos é tudo uma fantasia?
Um dia me disseram que os amigos que levamos para a vida toda são os da faculdade, porque eles vão te acompanhar em sua profissão. Desculpe, eu preciso discordar do "senso comum" e dizer que os amigos que levo para a vida toda são aqueles que me escolhem, que não desistem de mim, que insistem ao meu lado.
Claro que a faculdade faz da gente outra pessoa. Claro que todas as pessoas passam e contribuem para isso. E claro que depois de terminar o curso a gente sai conhecendo um monte de gente com a mesma profissão que a nossa, no caso da Rural, gente que não é também!
Mas e agora? Será que vai começar mesmo a vida real? Talvez já seja tarde para isso né vida?
Talvez a minha vida real seja cheio de sorrisos, de amigos e de bons momentos. Talvez a vida real que eu construí seja conseguir continuar sorrindo mesmo quando o chão some em baixo dos meus pés. Mas as vezes as coisas ficam tão difíceis que até o habitual sorriso se torna uma dificuldade e a vontade é de ficar deitada na cama o dia todo. Mas a gente não tem uma vida de fantasia para manter? Ou é essa mesmo a vida real?
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